A paciente Lilian Batista Gomes, de 39 anos, internada por pneumonia, morreu nesta segunda-feira (26) após a família denunciar a presença de larvas na boca e no nariz da mulher, que estava em coma no Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital Odilon Behrens, na Região Noroeste de Belo Horizonte.
A denúncia foi feita pela sobrinha da paciente, Isabela Cristina Batista, de 35 anos, que gravou vídeos no hospital no último sábado (24), por volta das 14h. “Meu avô falou assim: ‘Ô, Bebela, vem cá pra você ver. Tem um bicho na Lília’”, relatou à Itatiaia em entrevista ao programa Rádio Vivo. Ao se aproximar da cama, Isabela afirma que viu larvas na região do rosto da tia, que estava com máscara, tubo de oxigênio na boca e sonda no nariz.
A sobrinha descreveu o momento em que percebeu a gravidade da situação. “Eu dei a volta na cama e falei: ‘Uai, isso é larva, é bicho de varejeira, parece um arrozinho’”, contou. Segundo ela, o tamanho dos insetos indicava que eles já estariam ali há algum tempo. “Ele já estava grande, como se tivesse procriado ali”, disse.
Ainda segundo a sobrinha, um médico foi chamado ao local, mas não soube explicar o ocorrido. “O médico pediu, pelo amor de Deus, que a gente perdoasse ele, disse que não sabia o que estava acontecendo ali”, relatou. Isabela afirmou que, ao mexer no acesso da paciente, viu ainda mais larvas sob os curativos. “Na hora que puxou, começou a subir bicho entrando na boca e no nariz dela. Aquilo ali me revoltou”, disse.
Após o episódio, Isabela disse que tentou acionar a polícia, mas, após esperar cerca de duas horas sem atendimento, foi até uma base policial para registrar Boletim de Ocorrência (B.O.).
Ela retornou ao hospital acompanhada de policiais militares. “Chegamos lá e não tinha ninguém responsável pelo CTI”, contou.
Segundo ela, uma enfermeira informou aos policiais que não tinha nada a declarar porque estava iniciando o plantão.
Pneumonia
Segundo a família, Teresa Gross, a paciente estava em coma induzido desde a internação por pneumonia. Nos últimos dias, os médicos haviam iniciado o processo de retirada do coma, já que o quadro clínico havia apresentado melhora.
Após o episódio, o estado de saúde da paciente piorou. Nesta manhã, ela sofreu uma parada cardíaca.
A advogada da família, Teresa Gross, afirmou que foi procurada após a morte da paciente. “Ela me procurou hoje, depois que a Lília já tinha falecido”, disse.
Teresa Gross reforçou que, na avaliação da família, o caso não pode ser tratado como uma fatalidade. “Isso não é fatalidade, isso é descaso”, afirmou. Segundo ela, a paciente apresentava melhora clínica nos dias anteriores. “Ela já estava sendo retirada do coma induzido, a família havia sido informada de melhora da pneumonia”, disse. Ainda de acordo com a advogada, a paciente evoluiu para um choque séptico. “Foi esse choque que levou à morte”, completou.
A família relatou ainda outras falhas no atendimento durante a internação. Segundo os parentes, em determinado momento, a paciente ficou sem acompanhante e chegou a apresentar crise convulsiva sozinha. “Minha avó encontrou ela convulsionando, saindo sangue pela boca, sem nenhum enfermeiro por perto”, relatou Isabela. “Se não fosse minha avó, ela poderia ter morrido ali sufocada”, afirmou.
Condição especial
De acordo com os familiares, Lília tinha 39 anos e era considerada uma “criança especial” por sequelas de uma meningite contraída aos seis meses de idade. Ela deu entrada no hospital com suspeita de tuberculose, posteriormente descartada por exames, e foi diagnosticada com pneumonia.
Isabela afirmou que deixou o hospital somente no início da noite, abalada emocionalmente com o que presenciou. “Eu estava em estado de choque, traumatizada com a situação”, relatou.
O que diz a prefeitura
Em nota, a Prefeitura de Belo Horizonte informou que lamenta o ocorrido e que o caso está sendo apurado em um processo interno no Hospital Metropolitano Odilon Behrens. A administração municipal afirmou ainda que o CTI adulto da unidade tem 40 leitos e que o episódio é tratado como um caso pontual. Veja nota completa
''A Prefeitura de Belo Horizonte lamenta o ocorrido e informa que o caso está sendo apurado em processo interno pelo Hospital Metropolitano Odilon Behrens (HOB). A ala adulta de terapia intensiva do hospital possui 40 leitos e trata-se de um episódio pontual.
A unidade conta com telas de proteção em todas as janelas, cortinas de vento nas portas e são realizadas, frequentemente, ações de limpeza em todos os equipamentos de ar-condicionado. Há ainda o fechamento de frestas nas estruturas das janelas, a troca de ralos e a capacitação das equipes. O HOB segue rigorosamente os protocolos assistenciais, incluindo a realização de higiene bucal de pacientes a cada 12 horas, como medida de prevenção de pneumonia associada à ventilação mecânica.
O HOB ressalta ainda que foram adotadas imediatamente todas as medidas assistenciais indicadas, conforme o protocolo de segurança do paciente. No domingo (25) os familiares se reuniram com a equipe do hospital para esclarecimentos. O HOB permanece à disposição dos órgãos competentes e da família para os devidos esclarecimentos.’'