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'Onça no Gutierrez, jacaré em Santa Luzia': imagens de IA causam prejuízo aos bombeiros em MG

Corporação recebeu dois chamados falsos após moradores verem imagens em grupos de mensagens

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Imagens geradas por IA
Imagens geradas por IA • Reprodução / Corpo de Bombeiros

Duas imagens geradas por Inteligência Artificial (IA), que circulam em grupos de mensagens, mobilizaram e causaram prejuízo ao Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) nos últimos dias. Entre a tarde de quarta-feira (8) e a manhã de quinta (9), a corporação recebeu dois alertas falsos sobre a possibilidade de uma onça e um jacaré estarem circulando em ruas de Belo Horizonte e em Santa Luzia, na Região Metropolitana de BH.

A princípio, os bombeiros não encaram a situação como trote, ou uma tentativa de enganá-los. A corporação indicou que as pessoas que entraram em contato realmente entenderam que os animais eram reais e estavam colocando os moradores em risco.

Onça no Gutierrez

Imagem gerada por IA mostra onça em um lote vago no Gutierrez • Reprodução / Bombeiros
Imagem gerada por IA mostra onça em um lote vago no Gutierrez • Reprodução / Bombeiros

O primeiro caso, na tarde de quarta (8), envolve uma onça que, teoricamente, estaria circulando no Bairro Gutierrez, na Região Oeste de Belo Horizonte. O animal, inclusive, teria "matado um gato", enquanto transitava pelas ruas Anita Garibaldi e Vieiras. Posteriormente, a onça teria entrado em um lote vago com vegetação — momento em que a foto supostamente foi tirada.

Uma equipe dos bombeiros se deslocou até o local, com o apoio de uma equipe de resgate de animal do Centro Universitário de Belo Horizonte (UNIBH), e não encontraram nenhum animal. O Serviço Móvel de Atendimento a Cães e Gatos (SamuVet) também compareceu e não localizou a onça.

Jacaré em Santa Luzia

Imagem gerada por IA mostra jacaré em Santa Luzia • Reprodução / Bombeiros
Imagem gerada por IA mostra jacaré em Santa Luzia • Reprodução / Bombeiros

Na manhã desta quinta (9), a corporação foi acionada para mais um resgate de animal. Por volta das 8h, no Bairro São Cosme, em Santa Luzia, os bombeiros receberam a informação de que um jacaré de grande porte em via pública, na Rua Manicopa.

No momento da ocorrência, uma viatura da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) transitava na região e constatou que o animal não estava lá. Os policiais ainda conseguiram confirmar com um morador que a imagem tinha sido gerada por IA — com o intuito de criticar a situação do local, que estava com acúmulo de lixo e por isso "até um jacaré estava no local".

Uma equipe dos bombeiros chegou a se mobilizar, preparando os materiais de captura e equipamentos para transporte do animal, mas não chegou a deslocar, visto que recebeu a confirmação de que seria uma imagem falsa antes da saída da viatura.

Prejuízos ao compartilhar imagens geradas por IA

Os bombeiros, incialmente, não estão interpretando a situação como trote para serviços de emergência — prática considerada crime no Brasil, podendo gerar de 1 a 6 meses de detenção ou multa.

A forma como os chamados aconteceram chamam atenção da corporação, uma vez que os dois casos tiveram desdobramentos parecidos. Ambas as fotos estavam sendo compartilhadas em grupos de mensagens de bairros.

Além disso, os arquivos compartilhados estavam com a etiqueta "Mensagem encaminhada com frequência", um recurso desenvolvido pelo WhatsApp que indica que aquele conteúdo foi compartilhado mais de cinco vezes consecutivas, sinalizando potencial de viralização ou desinformação.

Com o senso de urgência, alguns moradores não compreenderam que se tratava de imagens falsas e decidiram acionar os Bombeiros.

Em entrevista à Itatiaia, o tenente do Corpo de Bombeiros, Henrique Barcellos, explicou que os chamados falsos causam prejuízos a corporação. "Quando se aplica recursos públicos no local onde não há necessidade, certamente há um gasto desnecessário, a mobilização de equipes, ocupação de um recurso que pode fazer falta em um outro local", disse.

Barcellos ainda explicou que, como uma forma de agilizar o atendimento em ocorrência reais, mas conseguir localizar autores de trotes, os Bombeiros e outras autoridades de segurança pública de Minas Gerais utilizam o Sistema de Localização (Siloc).

Com o Siloc, "é possível posicionar e rastrear geograficamente o ponto exato de onde estão vindo as chamadas de emergência", explicou o tenente. "Seja para fazer um atendimento, ou até para configurar a conduta criminosa de um trote por meio da localização do autor", finalizou.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.