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Muro entre casa e prédio em MG viraliza; saiba a história por trás da construção

Estrutura foi construída há cerca de 25 anos para preservar a privacidade de uma casa após a chegada de um prédio vizinho

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Muro entre casa e prédio em Passos • Google Street View/ Reprodução

A imagem de um muro entre um prédio e uma casa, na cidade de Passos, no Sul de Minas, viralizou nas redes sociais nos últimos dias. O paredão, de 13 metros de altura por cerca de 60 metros de comprimento, foi erguido no terreno da residência, na Rua Caxambu, no bairro Muarama. Quem mora no prédio não tem qualquer vista externa além dos tijolos do muro.

De um lado, há quem considere a construção um absurdo; de outro, quem diga que faria o mesmo. Mas, afinal, qual é a história por trás dessa obra?

O arquiteto e urbanista Ivan Vasconcelos publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que foi o responsável por projetar o muro, em 2001. Segundo ele, a história começou de forma inesperada.

"E é uma história que começa num restaurante. Uma família foi comemorar a compra da tão sonhada casa. Em determinado momento da noite, o dono do restaurante chega e informa à família que faz parte de um grupo que vai construir um prédio no terreno vizinho. Aí o sonho começa a se tornar um pesadelo e começa uma jornada de inúmeras tentativas para evitar o muro", disse.

De acordo com o arquiteto, houve várias tentativas para evitar a construção. "Na primeira tentativa, o proprietário da nova casa sugeriu uma permuta do terreno por outro que ele tinha no centro da cidade, maior e mais bem localizado. E o grupo não aceitou, exigindo que ele pagasse também o projeto de arquitetura. Então, não foi para frente a negociação", afirmou.

A segunda proposta foi instalar brises metálicos com aletas móveis nas varandas e janelas do prédio voltadas para a casa.

"Também não foi para frente, mesmo sabendo que seria o proprietário da casa que arcaria com toda a estrutura. E, na terceira tentativa, o proprietário se propôs a comprar todos os apartamentos voltados para o seu terreno. Também não deu certo, porque, para ele, o preço era o dobro do valor de mercado", explicou.

Sem acordo, restou projetar o muro dentro do que a lei permite. "Assim, só nos restou a alternativa de projetar o melhor muro possível, com 13 m de altura e comprimento dentro da legalidade, com segurança estrutural e usando materiais de boa qualidade e estética. O muro foi executado em concreto aparente e blocos cerâmicos requeimados, assentados alternadamente, de modo a permitir a passagem do ar."

Para o arquiteto, o caso levanta um problema maior, ligado ao planejamento das cidades. "Esse muro só é possível porque a legislação urbana permite que ele exista. E não se trata de um problema causado porque a legislação antiga era ruim. A legislação atual é pior do que a anterior. Hoje, a gente pode erguer empenas cegas, prédios construídos sobre a divisa, sem nenhuma abertura, até a altura de 18 m. Isso é devastador para o ambiente urbano", concluiu o arquiteto.

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Estela Torres é jornalista pela Universidade de Alfenas e pós graduada em Docência do Ensino Superior pelo Centro Universitário do Sul de Minas. Está na Itatiaia Sul de Minas desde a instalação da emissora em Varginha, em 2009, atuando como produtora, repórter e apresentadora .

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Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.