Movimento das Donas de Casa de MG entra em rede internacional e amplia defesa do consumidor
Entidade mineira completa 43 anos e quer fortalecer campanhas contra golpes digitais, encolhimento de embalagens e diferenças de preços entre produtos femininos e masculinos

O Movimento das Donas de Casa e Consumidores de Minas Gerais passou a integrar uma rede internacional de defesa do consumidor, que reúne mais de 200 organizações em mais de 100 países. O reconhecimento ocorre no ano em que a entidade completa 43 anos de atuação e abre caminho para a troca de experiências e a participação em debates sobre os desafios do consumo em diferentes partes do mundo.
Com a entrada na rede internacional, o movimento pretende ampliar o intercâmbio com organizações de outros países e fortalecer a defesa dos direitos dos consumidores diante de questões como golpes digitais, endividamento das famílias, mudanças nas embalagens e diferenças de preços entre produtos semelhantes.
Entre as próximas iniciativas do movimento está uma campanha contra a chamada “taxa rosa”, prática associada à cobrança de preços mais altos por produtos destinados ao público feminino, mesmo quando são semelhantes ou equivalentes aos oferecidos aos homens. A entidade também pretende ampliar a conscientização sobre a redução do tamanho das embalagens sem diminuição proporcional dos preços.
A presidente do movimento, a advogada Luciana Atheniense, afirma que a entrada na rede internacional representa um reconhecimento da trajetória da organização. Segundo ela, o processo de seleção durou seis meses. “Agora nós estamos tendo acesso não só a uma troca de experiências do nosso trabalho desenvolvido nesses 43 anos, mas principalmente também a saber quais são as demandas mundiais em relação ao consumo e às campanhas”, destacou.
Redução de embalagens sem queda nos preços preocupa entidade
A diminuição da quantidade de produto nas embalagens sem redução proporcional dos preços é uma das questões que o movimento pretende discutir com outras organizações internacionais.
Segundo Luciana Atheniense, a entidade já identificou situações desse tipo em produtos como papel higiênico, biscoitos e materiais de limpeza. A orientação é que os consumidores observem não apenas o preço exposto nas prateleiras, mas também a quantidade informada na embalagem. A comparação ajuda a identificar mudanças na relação entre preço e quantidade e a avaliar se houve aumento do custo por unidade ou medida.
O tema está relacionado ao consumo sustentável, que também envolve a conscientização da população sobre os hábitos de compra e a redução da geração de resíduos.
Campanha contra a ‘taxa rosa’ deve ser lançada entre 2026 e 2027
Outra frente de atuação será a campanha contra a chamada “taxa rosa”. A iniciativa pretende alertar para possíveis diferenças de preços entre produtos semelhantes destinados a mulheres e homens.
Como exemplos, a presidente cita aparelhos de barbear e mamadeiras de cores diferentes, mas com características semelhantes, que podem apresentar valores distintos.
A proposta é incentivar os consumidores a comparar preços e características antes de comprar e ampliar o debate sobre os critérios utilizados na formação dos valores cobrados pelo mercado.
De acordo com Luciana, a campanha deverá ser trabalhada no fim de 2026 e no início de 2027.
Movimento mantém campanhas de conscientização
A entidade também desenvolve ações voltadas à informação e à proteção dos consumidores. Entre elas está a campanha De Olho na Validade, que incentiva a verificação do prazo de vencimento dos produtos.
A presidente ressalta que as relações de consumo passam por transformações constantes e exigem atualização das iniciativas de defesa dos direitos da população. O movimento busca acompanhar essas mudanças com base na boa-fé e na legislação vigente.
Entidade mobilizou 390 mil assinaturas em 1988
Fundado em 1983, o Movimento das Donas de Casa e Consumidores de Minas Gerais tem entre os marcos de sua história a mobilização de aproximadamente 390 mil assinaturas, em 1988, pela inclusão da defesa do consumidor na Constituição Federal.
A entidade completa 43 anos em 2026 e mantém o legado da fundadora, Lúcia Pacífico, que morreu em 2025.
Segundo Luciana Atheniense, a organização trabalha com uma nova equipe e a participação de integrantes históricos para atualizar suas ações diante das necessidades dos consumidores.
Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.



