'Medo de não voltar pra casa', diz entregador feito de refém por assaltantes na Grande BH
Vítima foi rendida por criminosos, no Bairro São Mateus, em Contagem, nesta segunda-feira (2) e liberada após três horas em Belo Horizonte

Um motorista que fazia entrega de eletrodomésticos foi rendido por criminosos, no Bairro São Mateus, em Contagem, nesta segunda-feira (2). Foram cerca de três horas até a vitima ser liberada sem ferimentos.
Segundo a Polícia Militar, o carro em que os assaltantes estavam 'fechou' o veículo da vítima, e um dos ocupantes apontou uma arma de fogo, ordenando que o entregador parasse o veículo.
Um dos criminosos entrou no carro da vítima e ordenou o caminho que ela deveria seguir. Em certo momento, a vítima foi colocada no banco do passageiro, e teve o rosto tampado por uma coberta, para que não visse o caminho que era seguido.
O assaltante parou o carro da vítima, um Dukato, e os comparsas que seguiam em outro carro, retiraram a carga.
Assaltante preso
Depois de cerca de três horas rendido, o motorista foi liberado e um dos bandidos fugiu com o carro da vítima, que tinha rastreador, e o suspeito acabou preso. Com ele foi apreendida uma réplica de arma de fogo, que teria sido usada no assalto.
Segundo o tenente Inácio do 34° batalhão da PM, o assaltante ficou surpreso com a carga que encontrou.
"Na hora que ele foi fazer o confere do material que estava lá ele ficou espantado porque ele acreditava que seria uma carga de março de cigarro. Aí ele ligou para os comparsas e informou que seria um eletrodomésticos, os envolvidos resolveram aproveitar a carga. Mas a ideia dele parece que era de fazer o 'roubo de carga de mastigar'".
Após a prisão, o suspeito não quis passar informações dos outros envolvidos por medo de represália. Ele tem passagem por roubo e receptação
Vítima relatou o assalto
A vítima, que não quis se identificar, relatou os momentos de tensão durante as três horas feita de refém.
'Eu saí do galpão por volta das 6:00 da manhã, eu andei mais ou menos uns 2 Km e quando fui reduzir para passar por um quebra-molas o carro me fechou. Ele [o assaltante] estava com uma arma apontada para mim e eu levantei as mãos. Ele falou que não ia me machucar, que podia ficar tranquilo e iria me guiar até um lugar', disse o motorista que realizava entregas.
A vítima contou que ficou dando voltas por cerca de três horas e em determinado momento eles descarregaram a carga no lugar determinado pelo assaltante e os comparsas.
'A partir desse momento eles me abaixaram dentro do carro. Na hora que ele estava entrando no lugar que ele ia descarregar eu escutei ele falando que era para abrir o portão rápido. Depois de descarregar ele tirou o cobertor que me cobria.
Em seguida, o assaltante deixou a vítima como motorista e ficou dando voltas até os outros envolvidos descarregarem toda a carga.
A vítima foi liberada na Av. Antônio Carlos, após o viaduto da Lagoinha, na região da Pampulha.
'Quando sai do carro eu vi um agente da BHTrans do outro lado da rua e corri até ele. Contei que fui assaltado aqui e aí a primeira coisa que eu tive na minha mente foi ligar pra minha esposa que ela já estava preocupada pelo tempo que estava fora de casa', contou a vítima.
A PM foi acionada e localizaram o carro por rastreamento.
'O psicológico vai lá embaixo, fica muito abalado porque você não pode confiar na pessoa, porque ela não tem palavra e está disposta a tudo. e você não você tá preservando a sua vida então infelizmente nesses casos a psicologia da pessoa ficar abalada.
Trabalho com entrega há 12 anos e foi a primeira vez que eu sofri esse tipo de abordagem. Agora estou pensando nunca mais mexer com isso, viu? Passei um transtorno muito grande, eu sei que a vida é muito difícil, mas é complicado, só quem passa aí sabe o que que tá sentindo na pele. Tenho medo de não voltar pra casa', relata a vítima.
Amanda Antunes cursou jornalismo no Unileste (Centro Universitário Católica do Leste de Minas Gerais), com graduação concluída na Faculdade Estácio, em Belo Horizonte. Em 2009, começou a estagiar na Rádio Itatiaia do Vale do Aço, fazendo a cobertura de cidades. Em 2012, chegou à Itatiaia Belo Horizonte. Na rádio de Minas, faz parte do time de cobertura policial - sua grande paixão - e integra a equipe do programa ‘Observatório Feminino’.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde




