Mariana: Procurador afirma que sistema de indenização Novel 'é pra inglês ver'
Em reunião com atingidos, o procurador Carlos Bruno, do Ministério Público Federal, afirmou que o sistema Novel foi criado para parecer que o pagamento de indenizações aos atingidos pelo rompimento da barragem da Samarco está funcionando.

O procurador Carlos Bruno Ferreira da Silva, do Ministério Público Federal, afirmou em reunião com os atingidos pelo rompimento da barragem da Samarco, em Mariana, no dia 5 de maio, que o Novel (sistema simplificado de indenizações) é uma iniciativa, literalmente, “para inglês ver”, um faz de conta.
“O Novel não foi criado com o objetivo principal (pelo menos na minha leitura) de dar indenização aos atingidos. O objetivo principal do Novel é gastar dinheiro e dar uma resposta ao processo inglês. Dar uma resposta ao judiciário inglês que alguma coisa aqui funcionava”, afirmou o procurador da República em um vídeo que circula nas redes sociais.
Para "Inglês ver"
Procurado para falar sobre o posicionamento no vídeo, o procurador confirmou que as imagens, mostradas no vídeo, são de uma reunião no dia 5 de maio, em Santa Cruz do Escalvado, data em que ele foi também em Barra Longa e Ouro Preto. No entanto, segundo ele, a declaração não é inédita. “Essa fala, acredito, já fiz outras vezes”, afirmou à Itatiaia. O Ministério Público Federal já chegou a questionar o funcionamento do Novel judicialmente.
Em outro trecho da fala, o procurador completa: “O judiciário inglês ainda não julgou essa ação. É o Novel, esse programa de indenização criado pela 4ª Vara. Só que ele é um programa de indenização que ele não (…) foi criado um programa de indenização literalmente pra inglês ver”, afirma.
“Então é um programa que os advogados enriqueceram, tem advogados que ganharam quase R$ 100 milhões no Novel”.
Novel
O Sistema Indenizatório Simplificado (Novel) foi criado em 2020, por determinação do Poder Judiciário, para que atingidos com dificuldades de comprovação de danos, como lavadeiras, artesãos e pesquisadores apresentassem seus requerimentos para serem analisados.
Ação em Londres
O escritório de advocacia Pogust Goodhead move, desde 2018, em Londres, uma ação contra a BHP na Justiça inglesa, onde a mineradora é listada na bolsa de Londres. A barragem da Samarco, em Mariana, rompeu em 2015, matou 16 pessoas, destruiu várias comunidades e poluiu toda extensão do Rio Doce até a chegada ao mar.
Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast 'Abrindo o Jogo', que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.
