Jovem denuncia problemas para marcar cirurgia após Hospital Maria Amélia Lins, em BH, fechar
Julia Ad’ Vincula de Paula Magalhães, de 22 anos, sofreu um acidente de moto em abril de 2026, quando quebrou um punho, teve três fraturas na bacia e teve a abertura da sínfise púbica

A jovem Julia Ad’ Vincula de Paula Magalhães, de 22 anos, denunciou ter enfrentado problemas para marcar uma cirurgia de retirada de fixadores para o anel pélvico (sínfise púbica) no Hospital João XXIII, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, em meio ao fechamento do Hospital Maria Amélia Lins. Ela sofreu um acidente de moto na Avenida do Contorno em 7 de abril, quando quebrou o punho e teve três fraturas. A colisão também provocou a abertura da sínfise púbica da jovem.
Na ocasião, ela foi encaminhada para o Hospital João XXIII, onde ficou internada por 15 dias. “Eu fiz a cirurgia para colocar os fixadores externos no quadril pra juntar a sínfise púbica - o anel pélvico - e aí me mandaram pra casa e disseram que o retorno seria no Hospital Maria Amélia Lins”, contou.
A jovem aguardou três semanas em casa e foi para a consulta de retorno no Hospital Maria Amélia Lins. De acordo com Júlia, a médica marcou uma nova consulta de retorno para o dia 2 de julho para marcar a cirurgia. Contudo, ao chegar no hospital, ela encontrou o local fechado. “Gastei R$ 100 de Uber, tive que voltar para casa, e aí depois de dois dias, mais ou menos, eu fui e voltei lá no João XXIII para entender o que seria resolvido. E simplesmente fizeram um raio-X, disseram que estava tudo 'ok' e que eu poderia marcar a cirurgia, mas eu tinha que voltar para casa e voltar outro dia para realizar a marcação”, contou.
Como a jovem não pode se locomover muito, a mãe dela foi tentar realizar a marcação em um ambulatório que foi improvisado após o fechamento do Hospital Maria Amélia Lins. “Foi marcado para mim uma consulta. Nessa consulta, o médico me avaliou, ele até mesmo disse que eu estava contra a indicação do médico porque eu estava andando. E eu não sabia que não era permitido. Ele me pediu pra ficar mais quieta em casa, aguardando eles me ligarem para informar sobre a marcação da cirurgia, mas essa ligação nunca ocorreu”, afirmou.
De acordo com os familiares, a cirurgia deveria ter sido marcada até o dia 12 de julho. Ainda segundo Júlia, são três meses e 16 dias sem trabalhar desde o acidente. Ela, que era vendedora, teve que se afastar pelo Instituto Nacional de Segurança Social (INSS). “Doida para voltar a trabalhar pois o INSS infelizmente não paga comissão e as metas que eu recebia", disse. Além disso, enquanto espera pela cirurgia para tirar os fixadores, ela afirma ter sofrido quedas dentro de casa.
“Tem escada e eu preciso subir para tomar banho. Então, assim, eu estou indo contra a indicação do médico novamente para ficar tranquila dentro de casa. E, para mim, está mais perigoso ficar com os fixadores dentro de casa do que, sei lá, ficar internada. Ou já fazer a retirada, porque eu tenho um irmão pequeno também e às vezes ele está brincando, ele acaba esbarrando e aí me machuca. E aí eu fico à base de remédio”, lamentou.
Procurada, a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) ainda não retornou os questionamentos da reportagem. O conteúdo será atualizado quando a resposta chegar.
Situação do Hospital Maria Amélia Lins
O bloco cirúrgico do Hospital Maria Amélia Lins foi fechado pelo governo do estado no final de 2024, sob justificativa de reformas. Sindicatos e trabalhadores do local denunciaram que o espaço vinha passando por um processo de ‘desmonte’, com interrupção do funcionamento de alguns setores, como enfermaria, por exemplo.
As operações do hospital foram passadas para o João XXIII, e a Fhemig publicou que o Consórcio Instituição de Cooperação Intermunicipal do Médio Paraopeba (Icismep), formado por municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte, iria gerir o hospital através de uma concessão.
O fechamento do Maria Amélia Lins foi tema de dezenas de reuniões da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), convocadas pela oposição ao governo por meio do deputado Lucas Lasmar (Rede).
Nesta quarta-feira (29), o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) mandou a Fundação Hospitalar do Estado (Fhemig) reabrir integralmente o Hospital Maria Amélia Lins, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. A decisão reconhece que o governo de Minas e a Fhemig fecharam a unidade “sem motivação, planejamento ou programação”.
A decisão do magistrado atende a um pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) em ação civil pública que questionava o fechamento do Maria Amélia Lins, ainda no início de 2025. O despacho ainda confirma uma liminar que determinava que todos os serviços do hospital fossem restabelecidos.
Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo



