Idoso que matou filho de desembargador em prédio de BH é condenado a prisão
Defesa de Luiz de Matos Pinto, de 70 anos, tentou alegar que o acusado agiu em legítima defesa, mas tese não foi aceita

O idoso de 70 anos acusado de matar o professor Júlio Cesar Lorens Junior a facadas em um prédio do bairro Santo Antônio, em Belo Horizonte, foi condenado nesta terça-feira (27) a mais de 13 anos de prisão pelo crime, cometido em maio de 2022. Júlio era filho do desembargador Júlio César Lorens, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (relembre o caso no fim da matéria).
Luiz de Matos Pinto, autor do crime, foi condenado em júri popular. No julgamento de hoje, o promotor Carlos Eugênio Souto Maior Filizzola Junior argumentou que Júlio abordou Luiz para pedir para que o idoso fizesse silêncio e respeitasse o direito ao sossego. O Ministério Público também argumentou que o idoso possui transtornos psiquiátricos e, por isso, pediu a absolvição por inimputabilidade.
Relembre o caso
O jovem, que era filho do desembargador Júlio César Lorens, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), foi morto com uma facada depois de um desentendimento por causa de barulho. O síndico, que tinha 67 anos na época do crime, foi preso em flagrante.
Câmeras de segurança registraram a briga que resultou na morte de Júlio. As imagens mostram o momento em que o idoso sai da porta com uma faca, é atingido por spray de pimenta e esfaqueia a vítima na sequência. Júlio foi socorrido por uma moradora do prédio, mas morreu no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, em BH.
Conforme a denúncia, o desentendimento entre o idoso e o jovem eram recorrentes. “O denunciado e a vítima residiam em um condomínio residencial e, desde que passou a residir no local, o denunciado causou diversos transtornos para a vítima e para os demais moradores do condomínio, devido ao seu comportamento extremamente agressivo e antissocial. Além de perturbar o sossego dos condôminos com barulhos constantes, o denunciado chegou a danificar a porta do apartamento da vítima com marteladas, e ameaçou de morte o síndico do condomínio”, ressalta trecho da denúncia, que destaca ainda que Júlio estava doente quando foi morto.
“Na data do fatídico, a vítima estava em seu apartamento, ainda convalescendo de infecção por Covid-19, quando o denunciado, mais uma vez, perturbou o sossego dos condôminos com marteladas na parede. Exaurida física e mentalmente, a vítima foi até o apartamento do denunciado para pedir que ele cessasse com a algazarra, e, por precaução, devido ao histórico do denunciado, levou um vidro de spray de pimenta; contudo, o denunciado, antes de abrir a porta, muniu-se instrumento perfurocortante e, tão logo abriu a porta, partiu para cima da vítima que, para se defender, borrifou spray de pimenta em direção ao denunciado, na esperança de afugentá-lo, mas só fez redobrar a fúria do denunciado, que, após uma breve altercação física, conseguiu derrubar a vítima na escadaria da área comum e, com esta totalmente subjugada e à sua mercê, desferiu golpes de instrumento perfurocortante contra o ofendido, ceifando-lhe a vida”, diz a peça.
Ainda conforme a denúncia, o idoso matou o jovem ‘pelo simples fato de a vítima ter solicitado que ele cessasse com o barulho. “Houve, ainda, recurso que dificultou a defesa da vítima, que foi golpeada quando se encontrava caída, subjugada, totalmente à mercê de seu algoz”.
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Jornalista formado pela UFMG, com passagens pela Rádio UFMG Educativa, R7/Record e Portal Inset/Banco Inter. Colecionador de discos de vinil, apaixonado por livros e muito curioso.



