João XXIII atende uma vítima de acidente de moto a cada 1h30 em BH
Em janeiro, foram 487 atendimentos a motociclistas no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, e em fevereiro foram 489

Com o aumento do número de motos nas ruas, os acidentes envolvendo esses veículos seguem chamando a atenção em Belo Horizonte. Só nos dois primeiros meses deste ano, o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII registrou quase 1 mil atendimentos relacionados a ocorrências com motocicletas, segundo dados da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig). Em todo o ano passado, foram mais de 6,8 mil casos.
O cenário ocorre em meio ao crescimento da frota e da produção de motocicletas no país. No início de 2026, o setor teve o melhor começo de ano dos últimos 15 anos, de acordo com a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo).
No Hospital João XXIII, os acidentes com motos lideram os atendimentos por ocorrências de trânsito, segundo o gerente médico da unidade, Rodrigo Muzzi. “A maioria dos acidentes automobilísticos que a gente recebe aqui é acidente de moto, seguido de atropelamento e depois acidente de carro”, explica.
De acordo com ele, os acidentes com motocicletas costumam ser mais graves, já que o veículo oferece menos proteção ao condutor e ao passageiro. “Não tem para-choque. Então, um acidente pequeno de moto pode causar uma lesão grave. A chance de lesão grave é maior e acaba vindo aqui para o João XXIII”, afirma.
Rodrigo Muzzi também relaciona o aumento de casos ao crescimento do uso das motos nos últimos anos, especialmente após a pandemia. “A gente viu um aumento grande na época da pandemia, porque começou esse costume do delivery, que não saiu mais. Hoje as pessoas compram muitas coisas online. Com isso, aumentou a quantidade de pacientes que estão chegando aqui no hospital com acidente de moto”, diz.
Outro fator apontado pelo médico é o avanço do transporte de passageiros em motocicletas. “Outra coisa que aumentou muito a quantidade de atendimento foi o moto por aplicativo. É uma condição mais difícil ainda, porque a pessoa que está atrás não tem costume de andar de moto. E o passageiro tem que ter costume, senão a chance aumenta de causar acidente”, destaca.
Sobre as consequências, Muzzi explica que os traumas podem variar bastante. “Os traumas de membro inferior, se forem pequenos, só na extremidade, perna ou no máximo coxa, em paciente jovem, causam demora na recuperação, mas não vão causar sequela permanente. O paciente vai ficar imobilizado dois ou três meses e depois começa a voltar à atividade”, afirma.
Nos casos mais graves, porém, o quadro pode deixar marcas definitivas. “Além disso, os traumas mais graves da moto, como o traumatismo craniano, podem deixar o paciente em coma. As sequelas permanentes vão desde o trauma mais leve até o trauma mais grave”, alerta.
Para tentar reduzir os riscos, o gerente médico reforça a importância dos equipamentos de proteção e do respeito às regras de trânsito.
“A primeira coisa é usar todos os equipamentos de proteção necessários. Até a calça comprida ajuda. Eu já vi lesões graves que seriam evitadas se o paciente estivesse com uma calça jeans. Capacete é indispensável. E também é preciso andar na velocidade adequada”, orienta.
Apaixonado por rádio, sou um bom mineiro que gosta de uma boa conversa e de boas histórias. Além de acompanhar a movimentação do trânsito, atuo também na cobertura de vários assuntos na Itatiaia. Sou apresentador do programa 'Chamada Geral' na Itatiaia Ouro Preto.



