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Homem relata ataques racistas após criticar comentário que chamava negro de 'lagartixa preta'

Técnico de manutenção de aeronaves Lucas Renato afirma ter sido alvo de ofensas e montagens; suspeito rebateu as acusações

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Imagem de uma viatura da PCMG • PCMG/Divulgação

O técnico de manutenção de aeronaves Lucas Renato, de 31 anos, afirma ter sido vítima de racismo em um grupo de mensagens e em publicações nas redes sociais. Segundo ele, os ataques começaram no dia 5 de junho, após repreender um dos integrantes por um comentário de cunho racista feito em uma publicação no Instagram.

O caso foi registrado em boletim de ocorrência na última quinta-feira (11). Procurado pela reportagem, o suspeito negou as acusações e alegou que Lucas também teria feito comentários de teor racista contra outros integrantes do grupo.

A denúncia

De acordo com Lucas, a situação teve início quando um dos participantes do grupo de futebol utilizou a expressão "lagartixa preta" para se referir a um homem negro em uma publicação no Instagram. A pessoa mencionada não fazia parte do grupo de mensagens. Após contestar o comentário, Lucas afirma ter passado a ser alvo de ofensas.

"Dei um toque, dizendo que ele não podia fazer esse comentário e que poderia ser processado. Ele rebateu e disse que não estava preocupado com aquele homem preto fazendo macaquice", relatou. Segundo ele, as ofensas se intensificaram após a discussão. Lucas afirma que passou a ser alvo de ataques por também ser negro e que o suspeito chegou a compartilhar montagens com conteúdo racista.

"Vi que ele tinha ultrapassado todos os limites. Ele pegou minha foto de perfil do WhatsApp, alterou a cor da minha pele para branca e colocou uma melancia na minha cabeça", contou. Ainda de acordo com Lucas, o suspeito também teria ironizado as críticas recebidas por causa das declarações.

Em um dos áudios obtidos pela reportagem, enviado após Lucas contestar o comentário racista, o suspeito volta a utilizar expressões de teor racista e faz referência às críticas recebidas. "No dia de hoje nós temos dois famosos: temos o chacota que ficou mais famoso, que é o lagartixa preta, famoso pelo lado negativo, e o Neguete, fazendo show de racismo na internet para os mil seguidores que ele tem. Aí apareceu com um cara do Exército do Rio de Janeiro, mandando áudio", disse.

O suspeito também afirmou que não acreditava que seria punido caso decidissem processá-lo. Em uma mensagem enviada ao grupo, ele fez referência ao caso envolvendo Monique Medeiros ao comentar uma eventual responsabilização pelas declarações.

"Ontem, a mulher que matou o próprio filho saiu inocentada do julgamento. Eu vou ser processado por chamar alguém de lagartixa preta?", escreveu. Por meio de nota, o advogado Paulo Meira Passos, responsável pela defesa de Lucas Renato, criticou a postura do suspeito e informou que medidas judiciais estão sendo adotadas.

• Imagens cedidas à Itatiaia
• Imagens cedidas à Itatiaia

Segundo o advogado, serão tomadas todas as providências legais cabíveis em relação aos atos de cunho racista relatados pela vítima, praticados por meio de mensagens, áudios e publicações em redes sociais.

"Chama atenção, ainda, o fato de o próprio autor das ofensas ter afirmado, em áudios e mensagens, que nada aconteceria com ele, chegando a citar um caso criminal de grande repercussão nacional para justificar sua suposta sensação de impunidade. Em um Estado Democrático de Direito, ninguém está acima da lei, e manifestações discriminatórias não podem ser normalizadas", afirmou o advogado.

O suspeito

O suspeito rebateu as acusações. Segundo ele, Lucas teria "incitado o desentendimento", divulgando em seu perfil no Instagram áudios e capturas de tela de mensagens trocadas no grupo, acusando-o de racismo.

A divulgação nas redes sociais teria incomodado outros participantes do grupo. "As pessoas se sentiram incomodadas com ele publicando as coisas do grupo nas redes. Coisas, inclusive, que ele também faz", disse o suspeito. "Pedi para que ele não falasse mais sobre mim, minha esposa e meus filhos. Mas ele disse que o que iria fazer acabaria comigo, por meio de um processo", acrescentou.

O suspeito também alegou que Lucas publicou vídeos em frente à delegacia, em tons de ameaça, onde registrou o boletim de ocorrência. Ele também teria dito, por dois ditos, que policiais e amigos do jiu jitsu poderiam perseguir o suspeito.

"Depois disso, todo mundo começou a comentar comigo sobre a situação. Acionei o meu advogado e pedi para ele resolver a questão", acrescentou. Ainda segundo o suspeito, a vítima também teria feito comentários racistas direcionados a outros integrantes do grupo, o que, segundo ele, poderá ser incorporado ao processo. "Tenho prints, áudios e vídeos que mostram a conduta dele, que corrobora com aquilo que ele me acusa", afirmou.

• Imagens cedidas à Itatiaia
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Investigação

A reportagem procurou a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) sobre o andamento da investigação. Até a publicação, a instituição não havia se manifestado. A matéria será atualizada até a publicação.

Veja a nota da defesa na íntegra

"Na qualidade de advogado da vítima Lucas Renato, venho informar que já estão sendo adotadas todas as medidas legais cabíveis em relação aos fatos de cunho racista praticados contra meu cliente, os quais ocorreram por meio de mensagens, áudios e publicações em redes sociais.

As provas reunidas até o momento demonstram a utilização reiterada de expressões ofensivas associadas à cor da pele da vítima, além da divulgação do conteúdo perante diversas pessoas em grupos de mensagens e redes sociais. Trata-se de uma situação grave, que ultrapassa qualquer alegação de brincadeira ou desentendimento pessoal e demanda a devida apuração pelas autoridades competentes.

Chama atenção, ainda, o fato de o próprio autor das ofensas ter afirmado, em áudios e mensagens, que nada aconteceria com ele, chegando a citar um caso criminal de grande repercussão nacional para justificar sua suposta sensação de impunidade. Em um Estado Democrático de Direito, ninguém está acima da lei, e manifestações discriminatórias não podem ser normalizadas.

Confiamos no trabalho das instituições e aguardamos que os fatos sejam rigorosamente investigados, com a responsabilização dos envolvidos na forma da legislação vigente. O combate ao racismo não é apenas uma obrigação legal, mas um compromisso de toda a sociedade com a dignidade humana, o respeito e a igualdade.

Dr. Paulo Meira Passos
Advogado – OAB/MG 201.063
Meira Passos Advogados"

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