Guarda Municipal de BH que matou esposa e forjou suicídio é condenado a 18 anos de prisão
Alessandra Cristina Vaz, de 50 anos, foi morta pelo companheiro com um tiro na cabeça no dia 4 de abril de 2024 em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte

O Tribunal do Júri condenou, nesta quarta-feira (5), o guarda municipal Jardel dos Reis Santos a 18 anos e 8 meses de prisão por matar a esposa Alessandra Cristina Vaz, de 50 anos, e forjar uma cena de suicídio em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O crime ocorreu no dia 4 de abril de 2024, mas o suspeito foi preso apenas no dia 12 de julho do mesmo ano.
Além da prisão, o acusado também perderá o cargo de guarda municipal, por incompatibilidade com o exercício da função de agente de segurança pública. Após a morte de Alessandra, Jardel chegou a requerer uma pensão. Com a condenação, ele deverá ainda restituir, com juros e correção monetária, os valores do benefício que passou a receber da vítima, além de realizar o pagamento das custas processuais.
Em entrevista à Itatiaia, a mãe da vítima, Helena Pereira Vaz, contou que a filha era uma pessoa muito esforçada, trabalhadora e alegre, mas foi "perdendo esse brilho" após começar a se relacionar com o acusado. "A gente ficou preocupado, corremos atrás, fomos tentar tirar ela dessa situação, mas nessa depressão me parece que ela ficou com uma dependência emocional e não conseguia sair da situação", disse.
Helena afirmou que a dor de perder uma filha é imensurável. "É tão difícil de falar, mas igual eu falei, nada vai trazer ela de volta, mas a gente sente que a gente vai começar um novo ciclo, porque a gente acredita que, no que dá pra fazer na Justiça, aqui foi feito. E com certeza tem a justiça divina, que essa não precisa nem de eu preocupar, que eu sei que ela vem", afirmou.
Já o irmão da vítima, o sargento Leonardo Vaz, agradeceu o trabalho da delegacia de homicídio de Ribeirão das Neves, responsável pelo caso, e comemorou a decisão. "Nós estamos tentando dar prosseguimento na nossa vida, porque a Justiça foi feita, ele foi condenado a 18 anos e 8 meses e, assim, é pouco para gente, porque realmente quem ficou presa é quem morreu, foi ela, que não tá mais no nosso seio, no nosso convívio. Fica-se os momentos bons, a saudade cada dia que passa aumenta, mas, é, é um conforto a mais para que possamos prosseguir, porque a Justiça dos homens foi feita", disse.
A Itatiaia entrou em contato com a defesa do acusado, mas não obteve retorno até a última atualização desta matéria. O espaço segue aberto.
Relembre o crime
O crime aconteceu na casa do casal em Ribeirão das Neves, no dia 4 de abril. Segundo Marcos Rios, da delegacia de homicídio de Ribeirão das Neves, responsável pelo caso, o suspeito contou que, na noite anterior ao crime, ele teria chegado em casa do trabalho e tomado um refrigerante. O guarda afirmou que a bebida tinha um gosto estranho, e após tomá-la, ele se sentiu tonto e se deitou para dormir.
"Ele conta que apagou por conta desse suposto medicamento que a mulher teria colocado no refrigerante, e que só acordou no outro dia por volta das 14h. Foi quando ele teria encontrado a esposa morta no sofá da sala, com um disparo de arma de fogo na cabeça. O tiro teria sido dado com a arma de fogo dele. Aí ele teria entendido o que aconteceu: 'Ela me deu me drogou para poder suicidar com a minha arma de fogo'. Essa foi a narrativa dele", relatou Rios.
"Esses elementos nos demonstraram que o investigado praticou o crime de feminicídio. O crime teria acontecido por volta das 9h, mas ele disse que tinha acordado por volta das 14h. Ele disse que só depois entrou em contato com parentes, com um advogado, e só acionou a polícia cerca de 40 minutos depois. Então, nós entendemos que, das 9h até às 14h40, ele imaginou que conseguiria criar uma cena, simular um contexto de suicídio. Mas ela não encontrou amparo nenhum nos elementos analisados. Ele acreditou que o mero fato da vítima ter um histórico de depressão seria o suficiente para poder enganar a polícia", comenta.
Ainda de acordo com a corporação, na tentativa de simular o auto extermínio da esposa, ele pesquisou no celular dela como manusear uma arma de fogo. Porém, a polícia acredita que tudo foi feito após a mulher já estar morta, apenas com objetivo de enganar os investigadores.
"A vítima não tinha acesso a arma de fogo, nem tinha habilidade com arma de fogo. Então, como que ela se apoderou de uma arma, que no relato dele estava escondida e descarregada? Como que ela conseguiu? No dia dos fatos, ele narrou que tinha encontrado no celular dela um histórico de pesquisa de como mexer naquela arma específica, do modelo e marca iguais a dele. Essa pesquisa teria sido feita naquela manhã, o que nos pareceu muito estranho", afirma o delegado.
Amanda Antunes cursou jornalismo no Unileste (Centro Universitário Católica do Leste de Minas Gerais), com graduação concluída na Faculdade Estácio, em Belo Horizonte. Em 2009, começou a estagiar na Rádio Itatiaia do Vale do Aço, fazendo a cobertura de cidades. Em 2012, chegou à Itatiaia Belo Horizonte. Na rádio de Minas, faz parte do time de cobertura policial - sua grande paixão - e integra a equipe do programa ‘Observatório Feminino’.
Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo




