Gerente denuncia homofobia em salão de beleza em bairro nobre da Grande BH
Homem foi alvo de ameaças, agressão e xingamentos de uma cliente que se apresentou como médica; outras funcionárias também foram vítimas

Um episódio de violência marcado por homofobia e agressões físicas dentro de um salão de beleza no bairro Vila da Serra, em Nova Lima, na Grande BH, mobilizou funcionários e clientes no último sábado (28). O caso foi denunciado nas redes sociais por um dos gerentes do estabelecimento, que relatou ter sido alvo de ofensas discriminatórias, ameaças e intimidação por parte de uma cliente que se apresentou como médica.
Segundo o relato, a confusão começou após a cliente discordar de uma orientação técnica do salão: para a realização de um penteado, seria necessário que o cabelo estivesse seco. A mulher, porém, teria chegado ao estabelecimento, acompanhada da mãe, com o cabelo ainda molhado. Mesmo após explicações da equipe, a cliente teria se exaltado, recusado o procedimento e passado a agir de forma agressiva.
De acordo com o gerente, a situação se agravou quando a cliente tomou um secador das mãos de uma funcionária e, ao ser advertida, reagiu com xingamentos. Ele afirma que, ao registrar a situação, foi alvo direto de uma ofensa homofóbica, além de ter sido ameaçado. “Ela disse que, se eu não fizesse o que ela queria, iria quebrar a minha cara”, relatou o profissional.
A cliente chegou a deixar o local após receber o estorno dos valores pagos, mas retornou minutos depois ainda mais exaltada. Testemunhas afirmam que ela passou a ofender outros funcionários com palavras de baixo calão e insultos.
Segundo o gerente, houve agressões físicas dentro e fora do salão. Funcionários teriam sido arranhados, empurrados e derrubados durante a confusão. Já na área externa, uma colaboradora foi enforcada e chegou a desmaiar.
A Polícia Militar foi acionada e um boletim de ocorrência foi registrado. O caso deve ser investigado como possível crime de injúria homofóbica, além de agressão e ameaça.
O gerente afirmou que pretende levar a situação à Justiça. “Não é só sobre mim. É sobre todos que estavam ali trabalhando e foram desrespeitados. A gente não pode normalizar esse tipo de violência”, declarou.
Ele também destacou o impacto emocional da situação, especialmente pelas falas preconceituosas. “São palavras que atravessam. Mesmo quando a gente se aceita, machuca”, disse.
Em nota, o salão de beleza afirmou que condena a atitude da cliente e que preza por um "ambiente seguro, respeitoso e acolhedor para todos". O estabelecimento continua e diz que o episódio não "reflete os valores da empresa".
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.



