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Funcionária corta dedo com bisturi ao preparar cadáver e ganha indenização na Justiça, em Belo Horizonte   

Trabalhadora receberá danos morais no valor de R$ 7.500 mil   

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Imagem ilustrativa  • Banco de Imagens I Pixabay

A funcionária de um hospital de Belo Horizonte receberá indenização de R$ 7.500 mil após cortar o dedo com um bisturi enquanto embalsava um cadáver. À Justiça do Trabalho, ela alegou que usou medicamento antiviral, após o ocorrido, situação que “teria lhe causado abalo psicológico”. A decisão foi publicada nessa quarta-feira (12).

O acidente de trabalho aconteceu em 2016, durante a preparação de um corpo. Na época, a funcionária sofreu uma “ferida perfurocontusa no primeiro dedo da mão esquerda provocada por um bisturi contaminado com material biológico”. A perícia constatou que a funcionária manipulava, em média, oito cadáveres por jornada de trabalho.

De acordo com informações que constam no processo, a funcionária foi contratada, em 2016, para a função de embalsamadora e fazia o procedimento de inserção de 12 litros de fluido em cadáveres para drenar o sangue e, "se necessário, fazia ainda a abertura de abdômen, de tórax e de crânios."

Insalubridade

A decisão pela indenização foi da 15ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte que julgou procedente os pedidos da trabalhadora. "O hospital foi condenado, ainda, ao pagamento do adicional de insalubridade, em grau máximo, à base de 40% sobre o salário mínimo", já que a mulher trabalhava exposta a agentes biológicos durante a preparação dos cadáveres.

O hospital chegou a recorreu da decisão alegando que o acidente foi de responsabilidade da funcionária. Porém, para o juiz convocado da Décima Primeira Turma do TRT-MG, Leonardo Passos Ferreira, relator do recurso, a ocorrência do acidente de trabalho típico foi devidamente provada nos autos.

“O empregador tem obrigação de promover a redução de todos os riscos que afetam a saúde do empregado no ambiente de trabalho. Conforme o disposto no artigo 157 da CLT, cabe às empresas instruir os empregados quanto às precauções a tomar no sentido de evitar acidentes do trabalho e doenças ocupacionais, cumprindo e fazendo cumprir as normas de segurança e medicina do trabalho”.

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Jornalista graduada em 2005 pelo Centro Universitário Newton Paiva, com experiência em rádio e televisão. Desde 2022 atua como repórter de cidades na Itatiaia.