Belo Horizonte
Itatiaia

Familiares voltam a denunciar túmulos quebrados e abandono em cemitério de BH: 'Descaso total'

O Cemitério da Saudade fica na região Leste da capital; PBH disse que não recebeu recentemente nenhuma denúncia de violação

Por
Cemitério da Saudade, na região Leste de BH  • PBH/ divulgação

Túmulos quebrados, ossos à mostra, muito mato e vários buracos abertos. Essa é a situação atual do Cemitério da Saudade, que fica na região Leste de Belo Horizonte. Além desses problemas e falta de cuidado com a memória de quem não está mais entre os familiares, alguns denunciam lápides que desapareceram e dificuldades em resolver junto à administração do cemitério. É o que acontece com a família do Pedro, que tem um jazigo no local. A família é dona do túmulo e, de acordo com ele, todas as contas estão pagas, entre elas o IPTU, cobrado mensalmente. O último valor, inclusive, passou de R$ 300.

"A gente chega lá para ver o túmulo que a gente comprou e está tudo quebrado, os fundos estão abertos… Você consegue ver até os ossos das pessoas lá. Descaso total. Você chega para conversar e eles não sabem resolver nada”, disse Henrique de Lima Costa, porteiro de prédio.

Ele ainda conta que o pai pagou para inserir o nome dele no túmulo. “Eles não colocaram e sumiram com o nome do túmulo. Fui lá pedir para colocar, eles falaram que não vão colocar outro”, acrescentou. "Quando o meu pai pediu para fazer o túmulo, eles deram 90 dias úteis e não cumpriram. Demoraram seis meses para construir e, agora, tem três meses que eles têm para pôr o nome. No total, já tem oito meses nesse debate”, disse.

Um motociclista passa pelo mesmo tipo de problema: "É um total descaso da prefeitura. Minha mãe faleceu no ano passado, no mês de junho, e a gente tem propriedade e eu não pudemos sepultar ela lá. Por quê? Porque, segundo a administração do cemitério, foi sancionada uma nova lei que tem que tirar um monte de documentação, procurar parentes que a gente já nem sabe por onde anda mais... Além disso, teria que fazer a exumação de três corpos que estão lá para poder tirar a terra, fazer a gaveta e depois sepultar. Tive que sepultá-la no jazido comunitário"

A reportagem da Itatiaia foi ao local para verificar as denúncias e nos deparamos com um cemitério sucateado. Com relação à segurança, não fomos abordados em nenhum momento por funcionários do local, nem na entrada e nem na saída. No local, há uma guarita, mas ninguém nos abordou. Por causa dessa insegurança, familiares relatam, inclusive, que o local é alvo de vários furtos, principalmente de cruzes, além das ossadas e lápides. O sentimento deles é de profunda tristeza, quando vão visitar o local onde o parente foi enterrado. "A gente não consegue chegar lá para fazer uma oração, falar alguma coisa com querido da gente", acrescentou.

O que diz a prefeitura?

Em nota, a Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica disse que não recebeu recentemente nenhuma denúncia de violação de túmulos. E que, quando recebe, a administração do Cemitério realiza apuração rigorosa e o cidadão é comunicado de todo o procedimento.

Disse ainda que ocorreram ações de vandalismo em alguns túmulos, mas a polícia foi acionada e as famílias avisadas. Segundo a Fundação, o Cemitério recebe manutenções periódicas, com capina e limpeza durante todo o ano.

Já em relação à manutenção das estruturas dos jazigos, a Fundação disse que é responsabilidade da família.

E encerra a nota dizendo que o Cemitério da Saudade conta com porteiro e tem rondas da Guarda Municipal.

Por

Jornalista graduada em 2005 pelo Centro Universitário Newton Paiva, com experiência em rádio e televisão. Desde 2022 atua como repórter de cidades na Itatiaia.