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Em greve, trabalhadores da Fhemig relatam falta de avanço nas negociações

Assembleia contou com cerca de 200 servidores, que seguem em greve; sindicato pede reajuste salarial, pagamento de benefícios e o cumprimento de acordos

Por e , Belo Horizonte
Profissionais da saúde seguem em greve nos hospitais públicos da rede Fhemig em Belo Horizonte-MG • Gustavo Cícero / Itatiaia

Os profissionais dos hospitais públicos da rede Fhemig se reuniram em Assembleia Geral dos Trabalhadores na porta do Hospital João XXIII, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, em primeiro dia de greve nesta terça-feira (17). Segundo o sindicato da categoria, não houve avanço nas negociações com o Governo de Minas. Os trabalhadores cobram reajuste salarial, pagamento de benefícios e o cumprimento de acordos.

Uma das pessoas que participa do ato é Norma Aparecida de Almeida - de 54 anos - que atua como Técnica de Enfermagem. “A gente teve muitas perdas, muitos anos sem aumento e condições de trabalho melhores”, pediu Norma Aparecida.

“Se o trabalho da gente é essencial, se a gente não pode fazer greve, que valorizem o nosso trabalho. A gente pede isso”, continuou.

Em entrevista à Itatiaia, o presidente do sindicato Carlos Martins alegou que o governo de Minas Gerais não paga o piso da enfermagem, mas uma complementação no salário para alcançar o valor estipulado. O líder sindical também reclamou das condições de trabalho e estruturais.

“No hospital de Barbacena, por falta de uma cobertura entre a porta de saída do hospital e o local onde a ambulância para para pegar esses pacientes, ou trazer pacientes ,ou levar para exame, não tem cobertura nenhuma. Nesse período de chuva, a gente tá tendo que levar o paciente na base de chuva mesmo, empurrando em maca, até chegar na ambulância, ou juntar um grupo de pessoas com guarda-chuva para ficar transportando”, lembrou Martins.

Ainda conforme o presidente do sindicato, diversos trabalhadores acionaram a entidade para denunciar que pacientes têm sofrido consequências negativas relacionadas à uma mudança no sistema da Fhemig.

“Já levamos isso à Fhemig, eles ignoraram. Agora, no mês de fevereiro, a Fhemig exigiu que os funcionários plantonistas tivessem que no dia de folga vir trabalhar um plantão a mais, porque alegaram que como o mês tem só 28 dias, eles queriam que a gente cumprisse uma carga horária como se fosse o mês de 31. E lançaram o plantão, descontaram e puniram quem não veio trabalhar”, acrescentou.

O líder sindical citou, ainda, problemas estruturais nos hospitais da Fhemig. Carlos Martins lembrou de um vazamento no teto do ambulatório do Hospital João XXIII, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. A situação ocorreu em novembro de 2025.

Na ocasião, vídeos obtidos pela Itatiaia flagraram grande volume de água saindo do teto, inclusive de lâmpadas e tomadas. “Recente, teve aquele problema aqui no João 23 da chuva por falta de manutenção. Isso tem ocorrido também em outros hospitais”, afirmou à reportagem.

Após a situação, a Fhemig afirmou que as intervenções emergenciais, que já acontecem, iriam restabelecer o funcionamento adequado das áreas atingidas nas próximas horas.

Mesmo com a paralisação, de acordo com o sindicato dos profissionais da saúde, uma escala mínima de atendimento está sendo mantida para garantir o cuidado aos pacientes.

Procurada pela Itatiaia, a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais informa que não houve interrupção de atendimento por conta da greve desta terça-feira (17), mas que o movimento provocou reflexos pontuais na dinâmica de alguns setores do Hospital João XXIII. Nas demais unidades da rede não houve impacto na assistência.

A Fhemig disse ainda que acompanha a situação de forma permanente e reforça que mantém canais abertos para ouvir e dialogar sobre as demandas de seus servidores.

 

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Apaixonado por rádio, sou um bom mineiro que gosta de uma boa conversa e de boas histórias. Além de acompanhar a movimentação do trânsito, atuo também na cobertura de vários assuntos na Itatiaia. Sou apresentador do programa 'Chamada Geral' na Itatiaia Ouro Preto.

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Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo