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Doação de peixe em BH: homem entra na fila 4 vezes e pega 8 kg enquanto outros ficam sem

Funcionários da peixaria disseram à Itatiaia que o peixe acabou antes das 11h

Por e 
Doação é feita há mais de 30 anos em BH
Doação é feita há mais de 30 anos em BH • Fabiano Frade/Itatiaia

Um homem conseguiu 'ganhar' pelo menos 8 quilos de peixe durante a doação feita voluntariamente pelo comerciante Afonso Teixeira, há 33 anos, no bairro Bonfim, na Região Noroeste de Belo Horizonte (RMBH), na Sexta-Feira da Paixão. Em entrevista à Itatiaia no começo da manhã, ele revelou que trocou de roupa várias vezes para não ser percebido e acrescentou que outras pessoas fizeram o mesmo. Tradicionalmente, cada morador recebe 2 quilos de peixe.

Coincidência ou não, muitas pessoas que estavam na fila não conseguiram receber o peixe. Houve até um princípio de confusão quando os portões da peixaria foram fechados. A fila, que começou a se formar na quinta-feira (2), ainda dava volta no quarteirão.

“Senhoras de idade e crianças estão aqui desde a madrugada por conta de uma coisa prometida. E, por conta de um egoísmo qualquer, de uma atitude isolada, vai ficar fazendo essa humilhação?”, questionou um homem em vídeo que viralizou em aplicativos de mensagens.

Enquanto várias pessoas ficaram sem peixe, o homem que trocou de roupa para entrar na fila mais de uma vez mostrava, antes das 8h, a caixa de papelão lotada de sardinha. “Quero mais. Só que agora tem que esperar soltar mais a senha”, disse o morador, que ressaltou:

“O pessoal pega para vender. Eu não faço isso, amigão. Eu já pego para consumir, levar para os meus irmãos, para os meus sobrinhos, para meus amigos e para minha patroa, entendeu?”, justificou.

“A meta é uns dez pacotes de peixe. Já peguei uns quinze já ano passado, entendeu?”, acrescentou.

Questionado pela reportagem se a atitude poderia deixar outras pessoas sem o peixe, ele disse que não se importava. “Eles vão pegar para vender. Você acha que cada um vai pegar para comer? Eu vou pegar para poder ajudar os outros e vou comer também”.

Além de trocar de roupa várias vezes, o homem revelou como fazia para furar a fila. “A tática é: ‘você é meu irmão, eu te amo, amor’. Eu abraço, faço (coloco pilha) e depois eu planto o amor”, disse, que estava acompanhado da mãe. “Ela está com quase 70 anos e não tem mais agilidade, mas foi ela que me ensinou a ser esperto”.

Sobre o fechamento dos portões, funcionários da peixaria disseram à Itatiaia que o peixe acabou.

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Jornalista formado pela Newton Paiva. É repórter da rádio Itatiaia desde 2013, com atuação em todas editorias. Atualmente, está na editoria de cidades.

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Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.

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Jornalista formado pela UFMG, com passagens pela Rádio UFMG Educativa, R7/Record e Portal Inset/Banco Inter. Colecionador de discos de vinil, apaixonado por livros e muito curioso.