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Catador em BH precisa recolher mais de 250 quilos de latas para receber um salário mínimo no mês, revela pesquisa

Para receber R$1.320 por mês, um catador precisaria recolher mais de uma tonelada de garrafas pet e seis toneladas de papelão

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Um catador precisa recolher cerca de 18 mil latas por mês para receber um salário mínimo
Um catador precisa recolher cerca de 18 mil latas por mês para receber um salário mínimo • Wilson Dias | Agência Brasil

Para receber um salário mínimo, que chega a R$1.320 hoje, um catador de materiais recicláveis na região metropolitana de Belo Horizonte precisa recolher 18.464 latas, o que equivale a mais de 246 quilos de material. Os dados foram divulgados por uma pesquisa do Mercado Mineiro, feita entre os dias 13 e 14 de julho.

Quando se tratando de garrafas pets, o preço médio pago por quilo é de R$0,98. Por isso, para alcançar o salário mínimo o catador precisaria recolher mais de uma tonelada de material.

A situação piora quando se fala do papelão, que entre março e julho, teve uma redução de 73% do seu preço. Hoje, o quilo do papelão custa R$0,21. Por isso, para ganhar um salário mínimo, o catador precisaria coletar mais de seis toneladas e meia.

Segundo a Associação dos Catadores de Papelão e Material Reaproveitável (Asmare), um catador que trabalha entre 8 e 12 horas por dia, consegue uma renda de cerca de R$200 por semana (R$800 por mês). Atualmente, a Asmare possui cerca de 110 associados.

Em conversa com a Itatiaia, um representante da associação destacou, ainda, que desde o fim da pandemia os preços de materiais recicláveis vem caindo, aumentando a competição entre catadores e diminuindo a renda. A associação estima que, desde 2020, o catador perdeu cerca de 80% da sua renda.

Queda nos preços

A pesquisa mostrou que, entre março e julho de 2023, houve redução no preço de todos os materiais recicláveis. A latinha de alumínio é que possui o maior valor por quilo, e caiu 16%. Em março custava R$6,43 o quilo, e em julho caiu para R$5,36.

Depois do papelão, o papel branco foi o que sofreu a maior redução de preço: custava R$0,65 em março e foi para R$0,19 este mês, queda de 71%.


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