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Caso Laudemir: família e amigos de gari morto em BH fazem protesto em pedido de Justiça

Crime, que ocorreu no bairro Vista Alegre, na Região Oeste de BH, completou sete meses em março; Renê Júnior segue preso como principal suspeito pela morte de Laudemir

Por e , Belo Horizonte
Crime, que ocorreu no bairro Vista Alegre, na Região Oeste de BH, completou sete meses em março • Felipe Quintella / Itatiaia

Família e amigos de Laudemir de Souza Fernandes foram ao Fórum Lafayette, no bairro Barro Preto, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, nesta sexta-feira (10), em pedido de Justiça pela morte do gari. Em entrevista à Itatiaia, a viúva de Laudemir, Liliane França da Silva, pede que o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) marque a data do julgamento.

Laudemir foi morto no dia 11 de agosto no no bairro Vista Alegre, na Região Oeste de Belo Horizonte. O empresário Renê Júnior foi preso horas depois do crime no estacionamento da academia que frequentava. De acordo com a Polícia Civil, o suspeito atirou contra o gari após ficar bravo com a posição do caminhão de lixo.

“O sentimento meio que se mistura, porque feliz por saber que o Renê teve todos os habeas corpus negados… a nossa justiça não deu nenhum benefício pra ele e com receio também de que esse tempo que tá passando, ele acabe encaixado em alguma brecha da lei e a gente perca tudo isso que a gente já conquistou até agora”, disse Liliane França.

Os manifestantes afixaram cartazes no portão do Fórum Lafayette com pedidos de Justiça pela morte do gari. No local, frases como “A morte de Laudemir não será esquecida. Queremos Justiça. Esse crime não cairá no esquecimento” se misturam com gritos como “Justiça por Laudemir”, “Respeito aos Garis” e “Somos Garis, não somos lixo”.

Os cartazes contam, ainda, com ilustrações do Laudemir. À Itatiaia, o antigo colega de trabalho de Laudemir, Tiago Rodrigues, questionou os diversos pedidos de habeas corpus solicitados pela defesa do empresário. “Eu tenho certeza que o júri popular não vai deixar esse homem aí ruim, esse cidadão aí que não é cidadão, que tem que ficar onde ele tá pra ele refletir muito no que ele fez”, contou.

Renê Júnior foi pronunciado em 28 de janeiro de 2026 em decisão proferida pela juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do Tribunal do Júri, 1º Sumariante de Belo Horizonte. Com a decisão, o réu pelo assassinato do gari Laudemir será levado a juri popular.

Desde então, contudo, a data do julgamento não foi marcada. Ao decidir pela pronúncia, a juíza considerou haver provas da materialidade e indícios suficientes de autoria para o caso ser analisado pelo Conselho de Sentença.

As qualificadoras de motivo fútil, perigo comum e recurso que dificultou a defesa da vítima foram mantidas pela magistrada, que destacou a “frieza da conduta” e a “completa indiferença” demonstrada pelo acusado em relação à vida humana.

Relembre o caso

O crime ocorreu por volta das 9h do dia 11 de agosto de 2025 na Rua Modestina de Souza, no bairro Vista Alegre, na Região Oeste de Belo Horizonte, segundo o boletim de ocorrência.

Laudemir trabalhava na coleta de resíduos quando Renê Júnior, motorista de um BYD de cor cinza, que seguia no sentido contrário, se irritou, alegando que o veículo atrapalhava o trânsito.

Armado, o suspeito apontou a arma para a motorista do caminhão e ameaçou atirar no rosto dela. Ele seguiu, passou pelo caminhão, desceu do carro com a arma em punho, deixou o carregador cair, recolocou e atirou contra o gari.

A bala atingiu a região das costelas do lado direito, atravessou o corpo e se alojou no antebraço esquerdo da vítima, que não resistiu aos ferimentos. Renê foi preso horas depois ao chegar na academia.

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Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo

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Formado em jornalismo pela PUC Minas, foi produtor do Itatiaia Patrulha e hoje é repórter policial e de cidades na Itatiaia. Também passou pelo caderno de política e economia do Jornal Estado de Minas.