Brigadeirão envenenado: cigana se passou pela mãe do ex para tentar interná-lo em Minas
Ex-marido foi sequestrado em uma rodovia do Triângulo Mineiro, em 2022

A cigana Suyany Breschak, suspeita de ser a mandante do assassino do empresário Luiz Marcelo Ormond, que comeu um brigadeirão envenenado, pode responder também pelo crime de sequestro contra o ex-marido. O inquérito policial está andamento na 2ª Delegacia de Polícia Civil em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Segundo a polícia, a mulher teria tentando internar o ex-marido à força em uma instituição de dependentes químicos na cidade de Monte Carmelo, em agosto de 2022. O ex-marido de Suyany contou aos policiais que ele e a esposa foram abordados numa rodovia por quatro homens, obrigados a entrar em um carro e levados para uma residência.
No local, foram informados que seriam levados para tratamento em uma clínica de reabilitação a pedido da mãe dele. No entanto, momentos depois, descobriram que a ordem havia sido dada pela cigana que fingiu ser a mãe do ex-marido. A polícia de Minas disse que com a localização da suspeita, agora, a delegacia encaminhou carta precatória para ouvir Suyane, conclui o inquirido e encaminhar o caso ao Poder Judiciário.
Em entrevista à equipe da Itatiaia em Uberlândia, o delegado Marcos Tadeu de Brito Brandão, explicou como fica o andamento do inquérito.
“Como tomamos conhecimento da prisão dessa pessoa no Rio de Janeiro, imediatamente expedimos uma carta precatória para a (Polícia) Civil do Rio de Janeiro, a fim de que essa mulher fosse ouvida. Essa carta precatória retornando para Uberlândia, será inserida nos altos do inquérito policial”, diz o delegado.
“Se com isso for suficiente, iremos concluir o inquérito com o devido indiciamento formal da pessoa. E encaminharemos os autos ao Poder Judiciário e ao Ministério Público. O Ministério Público, tendo elementos suficientes, poderá oferecer a denúncia. Se ele entender que há alguma coisa pendente, ele vai nos devolver para complementar as diligências. Mas de toda a sorte é fundamental a oitiva da investigada, a qual se dará através da carta precatória que já expedimos para a Polícia Civil do Rio de Janeiro”, reforçou.
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Brigadeirão
A cigana Suyane Breschak está presa por envolvimento na morte do empresário Luiz Antônio Ormond. O doce, que continha 50 comprimidos moídos de um medicamento a base de morfina, foi oferecido pela então namorara da vítima, a psicóloga Júlia Cathermol Pimenta. Para a polícia, Suyane, que era uma espécie e mentora espiritual de Júlia, exercia forte influência sobre ela e teria mandando Júlia cometer o crime. Ainda de acordo com a polícia, o assassinato teria sido cometido por motivação patrimonial, já que Júlia teria tentado ficado com os bens da vítima.
Entenda o crime
Luiz foi dado como desaparecido no dia 17 de maio. Câmeras de segurança flagraram Júlia e Luiz Marcelo no dia da morte do empresário. As imagens, gravadas pelas câmeras de monitoramento do prédio onde o casal morava, no bairro Engenho de Dentro, na Zona Norte da capital, flagraram a vítima com o doce em mãos, dentro do elevador.
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A primeira imagem é do dia 17 de maio, dia da morte do empresário. Às 17h04, o casal aparece no elevador do prédio com duas cervejas e um prato em mãos. Os dois descem até a portaria e voltam 40 minutos depois. Às 17h46, o casal aparece novamente no elevador já sem as cervejas, mas ainda com o prato. Para a polícia, existe a possibilidade do prato conter o brigadeiro envenenado. Neste mesmo dia, Luiz Marcelo come o brigadeirão e morre.
Empresário foi visto pela última vez no elevador do prédio onde morava no Rio de JaneiroCréditos: CNN Brasil
O laudo da necrópsia não determinou a causa da morte. No entanto, os peritos identificaram uma pequena quantidade de líquido achocolatado no sistema digestivo. De acordo com o laudo, Luiz morreu três ou seis dias antes do corpo ser localizado. Com isso, a polícia acredita que Júlia chegou a dormir na mesma casa onde estava o cadáver durante todo o fim de semana dos dias 18 e 19 de maio.
No dia 19, as câmeras do prédio filmaram Júlia dentro do elevador, vestida com uma roupa de academia. Às 10h53, ela volta para o apartamento sozinha e parece mandar um áudio ainda dentro do elevador. No dia seguinte, em 20 de maio, Júlia aparece deixando o prédio com uma mala.
Na fuga, a suspeita teria levado os pertences do empresário e o carro dele. Nesse tempo, ainda segundo a polícia, ela chegou a enviar mensagens pelo celular do empresário se passando por ele. No mesmo dia, após Júlia fugir, o corpo do empresário foi encontrado no apartamento. Vizinhos chamaram a polícia após sentirem um cheiro forte no local.
Diana Rogers tem 34 anos e é repórter correspondente no Rio de Janeiro. Trabalha como repórter em rádio desde os 21 anos e passou por cinco emissoras no Rio: Globo, CBN, Tupi, Manchete e Mec. Cobriu grandes eventos como sete Carnavais na Sapucaí, bastidores da Copa de 2014 e das Olimpíadas em 2016.
Jornalista formado pela Newton Paiva. É repórter da rádio Itatiaia desde 2013, com atuação em todas editorias. Atualmente, está como editor de Cidades, Brasil e Mundo.


