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BH recebe festival de arte urbana com tinta produzida de queimadas

Projeto reúne artistas, estudantes e brigadistas em ações de conscientização ambiental

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BH recebe evento com tinta produzida de queimadas
BH recebe evento com tinta produzida de queimadas • Rômulo Ávila/Itatiaia

Belo Horizonte recebe, até a próxima sexta-feira (17), o Festival Paredes Vivas – Edição Cinzas da Floresta, que leva arte urbana e reflexão ambiental a diferentes pontos da cidade. Uma das principais intervenções é o mural “Renascer das Cinzas”, pintado na empena de um prédio residencial na região do Barreiro.

A obra, assinada pela artista Fênix, retrata duas mulheres — uma brigadista e uma indígena — segurando cinzas e terra fértil, de onde brotam árvores. Produzida com tinta feita a partir de resíduos de incêndios florestais, a pintura propõe uma reflexão sobre preservação ambiental, resistência e reconstrução após a devastação. Segundo a artista, o trabalho destaca tanto a atuação de quem combate o fogo quanto a sabedoria ancestral dos povos que historicamente protegem os territórios.

Além do mural no Barreiro, o festival também promove atividades na Escola Estadual Cecília Meireles, no bairro Teixeira Dias. O espaço recebeu ações de arte urbana e educação socioambiental, com o objetivo de conscientizar sobre os impactos dos incêndios florestais. Como parte da programação, estudantes participam de oficinas com exibição do curta “Cinzas da Floresta” e debates conduzidos pela arte-educadora Zi Reis.

A escola também abriga o mural “Braços Erguidos — Pela vida e pela floresta”, do artista mineiro Marcos Asher, que homenageia brigadistas e reforça a importância da ação coletiva na proteção dos biomas. As tintas utilizadas nas obras foram produzidas a partir de cinzas coletadas em diferentes regiões do país entre maio e julho de 2024, em parceria com brigadas florestais e com apoio da Rede Nacional de Brigadas Voluntárias (RNBV). O material foi tratado e transformado em pigmento, permitindo variações de tonalidade conforme o bioma e o tipo de vegetação queimada.

Parte desse processo foi documentada no filme “Cinzas da Floresta”, dirigido por André D’Elia, que acompanha a coleta de resíduos em áreas atingidas por incêndios no Brasil. O projeto que originou o festival surgiu a partir dessa iniciativa. De acordo com a coordenação do evento, a proposta é ampliar o debate sobre a preservação ambiental por meio da arte e estimular o engajamento da população. O Festival Paredes Vivas é realizado pela Parede Viva, com apoio da Rede Nacional de Brigadas Voluntárias.

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