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Audiência retoma processo sobre fazenda desapropriada há mais de 80 anos em MG: 'esperança é última que morre'

Nos anos de 1940, moradores da antiga “Fazenda Cachoeira do Ferrugem” foram retirados para a criação do parque industrial de Contagem; indenização nunca foi paga

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Herdeiros dos antigos donos da área se reuniram com a Justiça nesta quarta-feira (23) • Vanuza Resende/Itatiaia

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) realizou, na manhã desta quarta-feira (23), uma audiência pública para discutir as ações de indenização movidas por famílias que foram desapropriadas na década de 1940 para a criação do parque industrial de Contagem, na região metropolitana Belo Horizonte. O processo está em tramitação há 82 anos e é considerado o mais antigo do estado.

"A gente está hoje aqui na audiência pública com uma expectativa muito boa. A esperança é a última que morre, né? É inadmissível uma causa dessa. Eu creio que é a mais velha do Brasil. Agora, a expectativa dos herdeiros é receber esse valor porque não tem como. Tem pessoas hospitalizadas, acamadas, pessoas que realmente passam por necessidade de alimentação, de remédio e sabemos que tem milhões na mão do Estado para a gente receber", disse a mulher, descendente de Ana Rita de Abreu, uma das desapropriadas.

Perícia vai delimitar área desapropriada, identificar herdeiros e estipular valor da indenização

"Existem algumas questões a serem elucidadas ainda no processo, principalmente no que se refere a transposição daquela realidade de 194 para a realidade 2025. Além da identificação da área objeto da desapropriação, a identificação dos sucessores dos titulares originários é uma das dificuldades que nós encontramos nesse processo. Mas ela certamente será superada com a realização da perícia", afirma o juiz.

"A fixação do valor da indenização também é objeto da perícia que será realizada, juntamente com a delimitação precisa da área e com a identificação dos proprietários e seus respectivos sucessores. São cerca de 1.000 pessoas interessadas no processo, mas o valor da indenização ainda será definido na perícia", explicou o juiz.

Esperança para famílias desapropriadas

A nova perícia para nós vai ser bom porque tem muito herdeiro que não é herdeiro do meio desse trem (sic). Agora vai ver quem é quem. Eu sei onde eu nasci, meu avô era o dono. Meu pai, meu tio, minha tia, eu sei onde todo mundo morava ali. Então, eles (Justiça) querem saber isso. A única pessoa que era dono.

"Em 80 anos, a gente nunca teve uma melhora que nem agora, a gente nunca tinha conversado com o juiz. Agora, o juiz tá ajudando a gente aqui. Deus abençoe que eles façam uma boa medição e pague a gente. Eu tenho um irmão de 96 anos na cama, não anda mais. Nós estamos precisando desse dinheiro aí", comentou.

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Mineira de Resende Costa, Campo das Vertentes. Jornalista formada pela UFSJ, já trabalhou na Rádio Emboabas de São João del-Rei. Na Itatiaia, é editora do Jornal Itatiaia Primeira Edição e do Jornal da Tarde. Além de repórter, principalmente em Cidades

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Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.