12 bordadeiras e 150 horas: o trabalho de Uberlândia que vestiu Shakira em Copacabana
Peça usada em Copacabana, no Rio de Janeiro, no último fim de semana, foi criada por marca mineira e mobilizou equipe artesanal por mais de um mês

“Waka Waka”, de Shakira, com figurino amarelo vibrante em homenagem ao Brasil, foi um dos pontos altos do megashow do último fim de semana em Copacabana, no Rio de Janeiro, que reuniu cerca de 2 milhões de pessoas. O look da colombiana é assinado pela marca mineira Hisha, da estilista Giovanna Resende, e contou com a participação de 12 bordadeiras, somando mais de 150 horas de trabalho ao longo de um mês e meio.
“Nosso propósito sempre foi colocar a profissão de bordadeira no centro da marca e desenvolver essas mulheres, tanto para o mercado quanto para o crescimento pessoal delas”, disse ela, Nascida em São João del-Rei, no Campo das Vertentes, e com ateliê em Uberlândia, no Trianguo Mineiro.
O esforço continuou até os bastidores do megashow, onde ajustes precisaram ser feitos de última hora. “A gente teve que rebordar algumas partes da peça para ajustar no corpo tanto das dançarinas quanto da Shakira”, contou à Itatiaia, Giovana.
Do Instagram para Miami
Criação com identidade brasileira
O processo criativo foi feito em parceria, unindo a energia da música com elementos brasileiros. “Ele foi direcionando a gente no que ele precisava: muito movimento, alegria, cor. E eu acho que era muito importante para a Shakira também homenagear o país”, explicou a estilista.
A escolha das cores partiu da própria artista. “Inclusive foi ideia dela fazer ela e as dançarinas nas cores da bandeira do Brasil, para mostrar o quanto era importante e o quanto ela estava orgulhosa de estar no nosso país”.
Referência às culturas indígenas
Para trazer a identidade da marca aos looks, Giovana desenhou os bordados à mão. “A gente quis homenagear também, através de pinturas indígenas do Brasil, alguns traços que significavam coisas como proteção, o poder feminino, a segurança e também a energia masculina, que em alguns traços representava força”.
Desafio técnico e emoção
Produzir figurinos para um show desse tamanho exigiu cuidado. As peças precisavam ser leves e permitir movimento durante a coreografia. O processo foi longo. “Foi bem longo, árduo, de aprovação, de desenvolvimento de movimento, de textura no tecido e no bordado”.
Ao ver o resultado no palco, a emoção foi imediata. “Eu pulei igual uma pipoca, foi um trem de doido”.
Para Giovana, o momento marcou um grande orgulho. “Foi muito gratificante ver ela no palco cantando ‘Waka Waka’, em ano de Copa, vestindo as cores da bandeira do Brasil. Eu acho que a marca se sentiu representada e, por ser mineira e brasileira, com certeza”.
Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.
