Belo Horizonte
Itatiaia

Rivais de Marcola são transferidos para o presídio federal de Mossoró, no RN

Operação sigilosa do Ministério da Justiça levou integrantes do PCC de penitenciária federal à outra; o estopim para a rivalidade foi uma gravação entre Marcola e policiais penais federais

Por
Vista da Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte
A fuga foi a primeira primeira na história dos presídios federais, criados em 2006, no primeiro governo Lula • Depen/Divulgação

Três importantes ex-integrantes da cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC) foram transferidos da Penitenciária Federal de Brasília para a Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, que ficou nacionalmente conhecida após ser a primeira unidade do tipo a registrar uma fuga, no começo deste ano. A operação sigilosa de transferência foi feita pela Polícia Penal Federal em avião da Polícia Federal na manhã de terça-feira (15).

Os presos Roberto Soriano, o Tiriça, Abel Pacheco de Andrade, o Vida Loka, e Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, inimigos de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, sãos os transferidos. O trio era da cúpula do PCC (Primeiro Comando da Capital), mas foi expulso da facção em 15 de fevereiro deste ano após chamar Marcola, o líder máximo da organização, de delator. A exclusão dos três gerou um racha na maior facção criminosa do Brasil.

A Penitenciária de Mossoró é a única entre as cinco unidades federais do país com registro de fuga de presos. Foi de lá que em fevereiro deste ano escaparam Rogério da Silva Mendonça e Deibson Cabral Nascimento, ambos integrantes do CV (Comando Vermelho) do Rio de Janeiro.

Depois desse episódio, três agentes penitenciários federais foram assassinados por integrantes do PCC, sendo dois deles em Cascavel, no Paraná, e um em Mossoró. Tiriça foi acusado de ser o mandante dos assassinatos.

Racha histórico

O racha histórico no PCC ocorreu justamente devido à condenação de Tiriça pela morte de um desses agentes, a psicóloga Melissa Almeida Araújo. Ela trabalhava na Penitenciária Federal de Catanduvas (PR) e foi morta a tiros em maio de 2017.

Tiriça foi condenado a 31 anos de prisão pelo homicídio. No júri, a acusação usou o áudio de uma conversa entre Marcola e um agente da Penitenciária de Porto Velho. No diálogo, o chefão do PCC chamou Tiriça de psicopata. Tiriça, Vida Loka e Andinho acusaram Marcola de ser delator, mas acabaram expulsos do PCC, pela cúpula da organização, porque teriam cometido calúnia e traição. A exclusão dos três foi repassada em "salve" (recado) nas prisões e nas ruas.

Líder do PCC, Marcola é levado para hospital sob forte escolta com quase 100 policiais.

O comunicado explicava que a gravação foi analisada pela "sintonia final" do PCC e concluiu que não houve delação de Marcola, mas sim "um papo reto de criminoso com a polícia". Diz ainda que policiais penais gravaram a conversa para jogar os líderes do PCC uns contra os outros.

Por

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.