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Polícia investiga se cães envenenados no RJ ingeriram produto usado para matar ervas daninhas

Funcionários de condomínios tinham o hábito de borrifar o herbicida glifosato nos canteiros da Barra da Tijuca; ao menos 40 animais foram contaminados e sete morreram

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Cachorros de Cauã Reymond são envenenados • Reprodução | Redes sociais

A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga se a substância que causou o envenenamento de 40 cães na Barra da Tijuca, Zona Oeste da capital fluminense, trata-se do herbicida glifosato, usado no combate a ervas daninhas. Pelo menos sete cachorros também morreram com sintomas de intoxicação pelo produto, incluindo o do ator Cauã Reymond.

Os investigadores acreditam que funcionários de condomínios tenham aplicado a substância nos canteiros da região do Jardim Oceânico. Segundo testemunhas, eles tinham o hábito de borrifar o herbicida para evitar a proliferação de mato.

O que é glifosato?

O glifosato é o ingrediente ativo de agrotóxicos mais utilizado no Brasil. Em 2018, o país comercializou mais de 195 mil toneladas do produto. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o uso da substância é permitido nas seguintes situações:

  1. usos agrícolas;
  2. aplicação em margens de rodovias e ferrovias, áreas sob a rede de transmissão elétrica, pátios industriais, oleodutos e aceiros;
  3. para jardinagem amadora na forma de produto pronto para o uso e na Concentração máxima permitida de 1% p/v.

Segundo o órgão, além de agrotóxicos, o glifosato compõe a fórmula de produtos utilizados em jardinagem amadora, mas na concentração permitida de 1%.

Substância já foi alvo de discussão entre cientistas

Em 2013, uma nota técnica da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) recomendou que a substância fosse classificada como Classe I (extremamente tóxico) e que as vendas para utilização doméstica fossem proibidas. Em 2015, a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) publicou uma monografia onde classificava o herbicida como cancerígeno.

No mesmo ano, a Anvisa convocou um painel científico com a participação da IARC para a discussão do caráter cancerígeno do produto. Entre 2016 e 2018, o órgão realizou uma série de análises e submeteu os resultados a uma consulta pública, realizada em fevereiro de 2019.

A partir de todas as análises realizadas, a Anvisa optou por manter o glifosato e produtos agrotóxicos no pais e estabeleceu as novas regras em uma nota técnica publicada em 2020.

"Verificou-se que o Glifosato não apresenta características mutagênicas, teratogênicas, carcinogênicas, não é desregulador endócrino e não é tóxico para a reprodução", diz trecho da nota.

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Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.