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Polícia apura comportamento 'estranho' de PMs responsáveis por escolta de empresário morto em Guarulhos

Quatro policiais militares foram afastados da corporação por suspeita de escoltarem ilegalmente Antônio Vinícius Lopes Gritzbach; Corregedoria ainda investiga outros PMs que não estavam no local do crime

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Forças de Segurança Pública de São Paulo deram mais detalhes sobre investigação nesta segunda (11) • Mariana Manetta/Itatiaia

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, deu mais detalhes nesta segunda-feira (11) sobre a investigação do assassinato de Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, de 38 anos - morto em um ataque a tiros no aeroporto de Guarulhos, na última sexta-feira (9).

Segundo ele, a conduta dos policiais militares que faziam a escolta ilegal do empresário é considerada suspeita. "Tem alguns fatos que nos chamam atenção. Como, por exemplo, os policias da escolta terem se atrasado ao longo do dia. Também não tinha ninguém próximo a Vinícius na hora do ataque", afirmou.

"Eles já foram chamados pela Corregedoria da Polícia Militar para prestar depoimento. Só o simples fato deles fazerem uma segurança extra corporação já é considerado transgressão disciplinar, o que não é permitido. Eles ainda faziam a escolta de um criminoso. Além disso, estavam fazendo isso para o indivíduo criminoso. Ele era um criminoso condenado em alguns processos que já foi preso, então, não há que se falar apenas em transgressão disciplinar, mas sim, é um eventual cometimento de um crime militar por parte desses policiais militares", afirmou.

Corregedoria investiga mais PMs

Durante a coletiva, o secretário ainda confirmou que há outros militares suspeitos de integrarem a equipe de segurança de Gritzbach. Segundo ele, tudo começou durante a audiência de instrução de um duplo homicídio pelo qual o empresário estava sendo julgado.

Gritzbach é apontado como o mandante do assassinato de dois integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC): Anselmo Bechelli Santa Fausta, conhecido como “Cara Preta”, e Antônio Corona Neto, chamado de “Sem Sangue”.

"Quando ele foi ouvido na audiência de instrução, um policial da assessoria do Tribunal de Justiça, que faz a escolat dos réus, achou estranho uma amarok e trail blazer (modelos de carro) chegarem. A postura da escolta parecia a de policiais. Ele tirou uma foto e denunciou na Corregedoria da PM", contou.

Desde então, os policiais passaram a ser investigados por fazerem a segurança de Gritzbach. Além dos quatro que estavam no aeroporto no dia do atentado, Derrite diz que há outros, sem detalhar quantos e quem seriam.

Criminosos tomaram 'cautela extrema'

Apesar das coincidências suspeitas, ainda não se sabe quem matou o empresário. Derrite afirma que o crime foi planejado com cuidado para despistar as forças de segurança. "Os criminosos que realizaram esse assassinato tomaram uma cautela extrema. Eles usaram luvas, para não deixar marcas de digitais, e esconderam o rosto, preocupados com a filmagem (com uma balaclava)", disse.

No entanto, após o crime, a Polícia Militar realizou um bloqueio nas proximidades. Os criminosos viram a PM e decidiram abandonar o veículo às pressas. Os investigadores encontraram o carro, com materiais que indicavam a intenção de incendiá-lo. Uma mala com três fuzis e uma pistola também foi localizada próxima ao veículo.

A perícia conseguiu colher material genético dentro do veículo para tentar identificar os envolvidos. Os investigadores também farão um exame de balística para comparar as cápsulas encontradas no local do crime com as armas localizadas pela PM.

Entenda o caso

O empresário Antônio Vinicius Gritzbach foi assassinado a tiros no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, um dos maiores do país. Criminosos encapuzados saíram de um carro preto e executaram o empresário usando fuzis. Segundo o órgão, outras testemunhas estão sendo ouvidas pela Polícia Civil. Um carro, supostamente usado pelos atiradores, foi apreendido pela Polícia Militar.

A investigação também descobriu que quatro policiais militares faziam a escolta da vítima no momento do ataque. Eles tinham sido contratados para cuidar da segurança pessoal Gritzbach, que vinha sendo ameaçado pela facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC).

Apesar de terem sido contratados para fazer a escolta de Gritzbach, os agentes não conseguiram evitar a morte do corretor de imóveis. Os quatro foram afastados da corporação e são investigados pela Corregedoria da Polícia Militar.

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Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.