O que muda com o novo Ensino Médio aprovado pelo Senado?
Nessa quarta-feira (19) o Senado aprovou novas alterações no Novo Ensino Médio instituído em 2017, no governo Michel Temer

O projeto de lei que reformula o Novo Ensino Médio, reforma instituída em 2017 no governo de Michel Temer (MDB), foi aprovado em votação simbólica no Senado nessa quarta-feira (19). Apesar do avanço, devido às alterações feitas pelos senadores, o texto volta para Câmara dos Deputados para novas deliberações. Uma das principais mudanças é o aumento da carga horária das disciplinas tradicionais, como química, biologia, história e matemática. Confira abaixo o detalhamento.
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Como ficou o Ensino Médio após 2017?
- Linguagens e suas tecnologias composta pelas disciplinas, Arte, Educação Física, Língua Inglesa e Língua Portuguesa
- Matemática e suas tecnologias
- Ciências da natureza e suas tecnologias composta pelas disciplinas, Biologia, Física e Química
- Ciências humanas e sociais aplicadas composta pelas disciplinas História, Geografia, Sociologia e Filosofia
- Formação técnica e profissional
"A Reforma do Ensino Médio [...] extinguiu várias disciplinas, colocando no seu lugar áreas de conhecimento. Assim, Física, Química e Biologia haviam sido colocadas na área Ciências da Natureza e suas tecnologias. Da mesma forma, Filosofia, História, Geografia e Sociologia integravam a área de Ciências Humanas. O grande problema dessa mudança é que a BNCC do ensino médio é toda composta por competências e habilidades interdisciplinares, mas a formação do professor no Brasil é majoritariamente disciplinar", pontuou à Eduardo Mortimer, Professor Emérito da Faculdade de Educação da UFMG.
Com a mudança de 2017, o tempo dedicado para as disciplinas tradicionais foi limitado para 1800 horas máximas para dar espaço para as disciplinas de formação técnica e profissional que ocuparam 1200 horas do tempo dos jovens nas escolas - que não funcionou bem na grande maioria das escolas públicas brasileiras. "Para ter consciência do que isso acarretava, havia professores de química que tiveram suas cargas horárias reduzidas em função dessa redução e que, para completar sua carga horária, pegava disciplinas para as quais não tinha sido habilitado", explicou Mortimer.
E agora com a nova mudança, como fica o Ensino Médio?
A proposta de Lei que quer revisar o Novo Ensino Médio implementado em 2017, aumenta a carga horária de disciplinas obrigatórias das BNCC. Caso aprovada pela Câmara dos Deputados, o tempo máximo de horas dedicadas as disciplinas tradicionais da BNCC passa a ser de 2400, deixando 800 horas para serem exploradas para formação técnica e profissional.
A mudança tem sido bem vista por grande parte dos professores do Ensino Médio. "A nova reforma aprovada no Senado traz de volta as disciplinas. Isso é muito positivo, pois não há como inverter as prioridades. Se queremos um ensino interdisciplinar, o primeiro lugar onde devemos mexer é na formação de professores", pondera Mortimer.
"As grandes mudanças serão aquelas relacionadas aos itinerários formativos, que terão carga horária menor (cai de 1200 horas para 800 horas) e serão reduzidos em número. Agora, há uma sinalização que os itinerários formativos devem ser aprofundamentos do que se viu na formação geral. Então, você pode aprofundar em uma das disciplinas que cursou, ou fazer algo mais interdisciplinar, mas de qualquer forma agora está prevista essa articulação entre a formação geral e os itinerários formativos", explica.
A mudança no Ensino Médio vai impactar no Enem?
Com a revisão do Novo Ensino Médio, os alunos votarão a ter mais aulas de disciplinas que, de fato, caem no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e outros processos seletivos que selecionam estudantes para entrar em universidades. Portanto, eles terão mais tempo dentro das escolas para adquirirem o conhecimento necessário para fazer essas provas.
Ana Luisa Sales é jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na Itatiaia desde 2022, já passou por empresas como ArcelorMittal e Record TV Minas. Atualmente, escreve para as editorias de cidades, saúde e entretenimento



