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Número de crianças baleadas nos últimos 7 anos no Rio de Janeiro chega a quase 700, e 302 morreram

Dados do Instituto Fogo Cruzado revelam que 302 crianças não sobreviveram aos tiroteios no Grande Rio, com um em cada quatro casos na Zona Norte

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Nos últimos sete anos, a violência armada no Grande Rio atingiu proporções alarmantes, vitimando quase 700 crianças e adolescentes. Segundo dados do Instituto Fogo Cruzado, das 684 crianças baleadas, 302 não sobreviveram, evidenciando uma crise de segurança pública que afeta diretamente os mais vulneráveis.

A Zona Norte da capital fluminense concentra um em cada quatro casos registrados, tornando-se o epicentro dessa tragédia urbana. Somente em 2024, o número de crianças baleadas no estado do Rio já chegou a 21, demonstrando que o problema persiste e demanda ações urgentes.

Caso recente comove a comunidade

O caso mais recente dessa violência ocorreu na quinta-feira, na favela do Guarda em Del Castillo, Zona Norte do Rio. Camila Vitória, de apenas 12 anos, brincava de bola com outras crianças quando foi atingida por um tiro na perna. A menina chegou a pedir ajuda ao pai, Sandro Alves, que impotente diante do tiroteio, não pôde socorrê-la imediatamente.

Sandro relatou o momento angustiante: 'Oi pai, pai. Aí eu falei não minha filha, fica aí abaixada. Aí ela sentou na quadra, aí depois ela se deitou. E ela, pai, pai, eu não. Vem não, fica aí, fica aí. Mas não deu para ir até ela porque estava correndo muito tiro.'

Camila foi levada ao Hospital Municipal Salgado Filho, mas infelizmente não resistiu aos ferimentos. A bala atingiu sua veia femoral, causando uma hemorragia fatal. Testemunhas afirmam que o incidente ocorreu durante um confronto entre traficantes e milicianos que disputam o controle do território.

O sonho interrompido

A tragédia ganha contornos ainda mais dolorosos ao se revelar que Camila havia recentemente ingressado em um grupo de vôlei e sonhava com seu primeiro campeonato. Seu pai, emocionado, compartilhou o último desejo da filha: 'Aí ela pegou e falou bem assim, pai, eu quero um presente de natal, quero uma joelheira para jogar vôlei. Aí eu disse, só isso minha filha, é só para me disputar o campeonato. Mas não deu tempo...'

O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios, que já ouviu os parentes da menina e busca mais informações para identificar a origem do disparo. Este incidente trágico ressalta a urgência de políticas públicas efetivas para combater a violência e proteger as crianças e adolescentes das comunidades mais afetadas pelo crime organizado no Rio de Janeiro.

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