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Caso Benício: veja mensagens de médica após prescrever adrenalina que matou criança 

Em desespero, profissional pede ajuda a outro médico: 'Paciente desmaiou, pelo amor de Deus, eu errei a prescrição'

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Caso Benício: troca de mensagens de médica
Caso Benício: troca de mensagens de médica • Reprodução

“Urgente, prescrevi inalação com adrenalina e acabaram fazendo ev (endovenosa)”, diz a médica em uma das mensagens. Em seguida, ela conta ao colega que Benício ‘está todo amarelo’ e pede que alguém da UTI desça com urgência. ‘Urgente Dr. Pelo amor de Deus’, escreve a doutora.

O outro médico responde que está tentando contato, mas a mulher se desespera: ‘“O que eu prescrevo? Paciente desmaiou, pelo amor de Deus, eu errei a prescrição”. Durante a troca de mensagens, o colega pede que a médica concentre no paciente e se preocupe depois em se comunicar com ele.

Mas a doutora envia novas mensagens, desta vez diz estar desesperada e pergunta qual o código para pedir leito na UTI. O colega responde: “Está em todas as mesas do consultório, não sei de cabeça”.


Médica pede ajuda após receitar adrenalina que matou criança no AMBenício chegou a ser internado em um leito de UTI, onde o quadro piorou e ele precisou ser entubado. Foi nesse momento que a criança sofreu as primeiras paradas e, minutos depois, não respondeu às manobras de reanimação. Ele morreu às 2h55.

A médica reconheceu o erro, segundo um relatório do hospital enviado à Polícia Civil, ao qual a Rede Amazônica teve acesso. O caso é investigado pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) e pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM).

O delegado do caso, Marcelo Martins, chegou a pedir a prisão preventiva da médica, considerando que a criança foi vítima de homicídio doloso qualificado. No entanto, o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) concedeu um habeas corpus preventivo à médica, impedindo que ela seja presa durante a investigação.

O Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Cremam) abriu, na quarta-feira (26), um procedimento para apurar a morte da criança. A médica e a técnica de enfermagem envolvidas foram afastadas das atividades.

“Queremos justiça pelo Benício e que nenhuma outra família passe pelo que estamos vivendo”, lamentou o pai.

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Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias Turismo e Emprego e Concursos.