Bacabal-MA: desaparecimento de irmãos completa 6 meses sem respostas; relembre o caso
Agatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michel, de 4, desapareceram enquanto brincavam em uma área de mata em janeiro deste ano

Seis meses se passaram desde que os irmãos Agatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michel, de 4, desapareceram em Bacabal, no interior do Maranhão. O desaparecimento das crianças mobilizou forças de segurança, voluntários e comoveu o país. Apesar das buscas ininterruptas durante semanas, do emprego de tecnologia, do apoio de centenas de pessoas e de diversas linhas de investigação analisadas pela Polícia Civil do Maranhão, o paradeiro de Agatha e Allan continua desconhecido.
O caso teve repercussão nacional pela grande mobilização e pelas circunstâncias que cercam o desaparecimento. As buscas envolveram equipes especializadas em terra, água e ar, cães farejadores, drones, helicópteros e até a inclusão do caso no protocolo Amber Alert, utilizado para ampliar a divulgação de desaparecimentos de crianças. Ainda assim, nenhuma pista foi suficiente para esclarecer o que aconteceu com os irmãos desaparecidos no interior do Maranhão.
Relembre o desaparecimento
Agatha Isabelly, Allan Michel e o primo deles, Anderson Kauã, desapareceram no dia 4 de janeiro de 2026, após saírem para brincar nas proximidades da residência da avó, em uma área de mata no território quilombola de São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, no interior do Maranhão. Quando perceberam que as crianças demoravam para voltar, familiares iniciaram buscas por conta própria. Pouco depois, o desaparecimento foi comunicado às autoridades, dando início as operações de busca pelas crianças.
O primeiro avanço concreto ocorreu três dias após o desaparecimento, quando Anderson Kauã foi localizado com vida em uma região de mata próximo ao local que tinha sido visto com os primos pela última vez. A criança estava debilitada, desidratada e bastante assustada. Ela recebeu os primeiros atendimentos ainda no local e foi encaminhada ao hospital, onde passou por exames clínicos e permaneceu dias em observação médica. Posteriormente, também recebeu acompanhamento psicológico e assistência da rede de proteção à infância do município.
Após apresentar melhora no estado de saúde, Anderson foi ouvido em um depoimento especial à polícia, acompanhado por profissionais da psicologia especializados. Segundo o relato da criança às autoridades, os três primos caminharam juntos pela mata até chegarem à uma casa abandonada. Em determinado momento, Anderson contou que acabou se separando dos primos para buscar ajuda, mas acabou se perdendo sozinho pelo caminho. Ele foi localizado por um grupo de carroceiros que participavam voluntariamente das buscas pelas crianças.
O depoimento ajudou a reconstruir parte da dinâmica do desaparecimento, mas não respondeu à principal pergunta da investigação: o que aconteceu com os irmãos Agatha e Allan depois da separação.
"Casa abandonada" entrou na investigação
Um dos pontos que mais chamou atenção durante as buscas foi uma casa abandonada localizada na região, conhecida pelos moradores como "casa caída". Cães farejadores indicaram que as três crianças estiveram no imóvel após desaparecerem. No local, as equipes encontraram indícios da presença dos menores, reforçando que eles passaram pela construção em algum momento. Apesar disso, nenhum elemento foi suficiente para indicar o destino de Agatha e Allan depois que deixaram o imóvel.
A descoberta fez com que as buscas fossem concentradas em áreas próximas ao casebre, ampliando o trabalho de varredura na mata e alimentando novas linhas de investigação, inclusive em cursos d' água próximos aquela região.
Operação mobilizou milhares de pessoas
As buscas pelos irmãos se transformaram em uma das maiores operações já realizadas na região. Bombeiros militares, policiais civis e militares, equipes da Defesa Civil, especialistas em salvamento, voluntários e moradores participaram das ações, que se estenderam por semanas. As autoridades e voluntários, inclusivem, partiram também de outros estados. Forças nacionais, como o Exército e a Marinha, também foram empenhadas.
As equipes percorreram quilômetros de mata fechada, áreas alagadas e rios, utilizando embarcações, drones, helicópteros, cães farejadores e equipamentos de georreferenciamento. Com o passar dos dias, as estratégias foram sendo ampliadas. Além das buscas terrestres, também foram realizadas operações aquáticas e sobrevoos para tentar localizar qualquer vestígio das crianças. Ao longo da segunda semana de trabalho, mais de mil pessoas já haviam participado da força-tarefa. Mesmo após um mês de buscas, as operações continuaram sendo realizadas em pontos considerados estratégicos, embora com efetivos reduzidos em relação aos primeiros dias.
Caso entrou no Amber Alert
Diante da ausência de respostas, as autoridades incluíram o desaparecimento dos irmãos no protocolo Amber Alert. A ferramenta amplia a divulgação de casos de crianças desaparecidas por meio da colaboração entre autoridades e plataformas digitais, permitindo que alertas sejam compartilhados rapidamente para um grande número de pessoas. A expectativa era aumentar as chances de obtenção de informações que levassem ao paradeiro das crianças. Apesar da medida, nenhuma denúncia resultou na localização dos irmãos.
Mistério permanece
Passados seis meses, o desaparecimento de Agatha Isabelly e Allan Michel continua cercado de perguntas. O depoimento de Anderson Kauã permitiu reconstruir parte dos acontecimentos daquele dia, e a passagem das três crianças pela casa abandonada foi confirmada pelos cães farejadores. No entanto, nenhum desses elementos foi suficiente para esclarecer o destino dos irmãos.
Sem novas manifestações públicas da Polícia Civil do Maranhão sobre o andamento das investigações, o caso permanece sem solução. Enquanto a investigação segue aberta, familiares continuam aguardando respostas sobre um desaparecimento que mobilizou e repercutiu em diferentes partes do país.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.



