Mina da Braskem em Maceió: veja tudo o que se sabe sobre o rompimento
Parte da mina 18 colapsou neste domingo (10); autoridades estão no local

Parte da mina 18 da Braskem se rompeu em Maceió, por volta das 13h15, deste domingo (10). A Defesa Civil da cidade divulgou vídeos do momento em que o colapso da estrutura acontece.
Nas imagens divulgadas, o rompimento pôde ser percebido na superfície da Lagoa de Mundaú. De acordo com o geólogo da Defesa Civil de Maceió, Eduardo Bontempo, mais de 60% do volume da mina está abaixo da lagoa.
A Defesa Civil informou que técnicos monitoram o local em busca de mais informações. O órgão ressalta que a mina e todo o seu entorno estão desocupados e não há qualquer risco para as pessoas. Segundo a Defesa Civil, nenhuma das outras minas da empresa apresentam instabilidade.
Neste domingo (10), o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PL-AL), sobrevoou a área. JHC afirmou que novas informações serão compartilhadas assim que possível.
Em nota, a Braskem informou que outro movimento de rompimento - semelhante ao primeiro - aconteceu por volta das 13h45. Segundo a empresa, as autoridades foram imediatamente comunicadas após o sistema de monitoramento de solo captar movimentações atípicas na área.
Onde fica a mina que desabou?
A mina 18 é uma das 35 minas da Braskem na região. Ela está localizada parte sob o bairro Mutange e parte sob a Lagoa de Mundaú - mais de 60% do volume da mina está abaixo da lagoa. Com o rompimento, a água está entrando na mina.
As estruturas eram usadas, desde 1976, para extração de sal-gema, usado para produzir soda cáustica e policloreto de vinila (PVC). Em 2018, uma série de abalos sísmicos e afundamentos de solo fez com que a atividade no complexo fosse interrompida. A instabilidade da região causou rachaduras e colocou em risco as casas da região.
No ano seguinte, cerca de 55 mil pessoas tiveram que ser retiradas de casa. Desde 2022, a Braskem trabalhava para estabilizar a área. Com o agravamento da situação da mina, a estimativa é que mais 5 mil pessoas sejam evacuadas.
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Risco de colapso
Em 29 de novembro, o prefeito JHC declarou situação de emergência no município, após a Defesa Civil informar que a mina 18 estava sob “risco iminente de colapso”. De acordo com o Governo de Alagoas, em novembro, houve cinco abalos sísmicos na área. Apesar do principal bairro ameaçado já estar desocupado, as ruas próximas foram fechadas e o fluxo de pessoas no entorno está proibido desde então.
Após o rompimento deste domingo (10), a Defesa Civil informou que as casas ao redor da mina e todo o seu entorno estão desocupadas e que não há qualquer risco para as pessoas.
Mina já tinha afundado 2,3 metros
Em nota divulgada na manhã deste domingo (10), a Defesa Civil de Maceió informou que a mina 18 havia afundado 12,5 centímetros nas últimas 24 horas, com uma velocidade de 0,52 centímetros por hora. No total acumulado, a mina já havia deslocado 2,35 metros.
Parte da mina 18 da Braskem, em Maceió, se rompeu por volta das 13h15 deste domingo, 10, segundo a Defesa Civil do município. Mais cedo, o órgão havia informado que houve um deslocamento vertical acumulado de 2,35 metros, com velocidade vertical de 0 52 centímetros por hora, apresentando um movimento de 12,5 centímetros nas últimas 24 horas.
Mina foi desativada em 2019
De acordo com a Braskem, em maio de 2019 os 35 poços de sal que eram operados na capital alagoana foram desativados. Desde então, a empresa afirma que vem tomando ações para que o complexo seja fechado definitivamente. A conclusão dos trabalhos estava prevista para 2025.
De acordo com a empresa, das 35 cavidades, nove receberam a recomendação de preenchimento com areia. Destas, cinco foram preenchidas, três estão em andamento e uma está pressurizada - o que indica que o preenchimento não será mais necessário.
Em outras cinco cavidades foi confirmado o autopreenchimento. Os outros 21 poços estão sendo tamponados ou monitorados.
A Braskem afirma que as “atividades para preenchimento da cavidade 18 estavam em andamento e foram suspensas preventivamente devido à movimentação atípica no solo”.
Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.


