Belo Horizonte
Itatiaia

Mãe recebe órgãos do filho morto em acidente de carro, em São Paulo

Em vida, Kauan Farias, de 20 anos, se incomodava com o sofrimento da mãe e queria doar um de seus rins, mas não tinha a idade mínima exigida por lei

Por
Kauan com a mãe Graziele poucos dias antes do acidente
Kauan com a mãe Graziele poucos dias antes do acidente • Álbum de Família

Em meio à dor extrema, uma esperança. A paulista Graziele Farias, de 37 anos, estava na fila do transplante de rim desde 2018. Os dela pararam de funcionar, em 2018, devido a uma grave crise de hipertensão. Mas ela nunca poderia imaginar que teria que perder o próprio filho, Kauan Farias, 20 anos, para conseguir realizar a cirurgia, em circunstâncias inéditas no Hospital de Botucatu.

O jovem perdeu a vida num acidente de carro em 1º de janeiro e, assim que foi declarada sua morte encefálica, a família autorizou a doação de seus órgãos,  sem saber que eles poderiam ser destinados a Graziele.

É que de acordo com a legislação que normatiza os transplantes no país, parentes que estejam na fila de espera têm prioridade em relação aos órgãos de um familiar doador. Mesmo transtornada pela dor da perda do filho, Graziele aceitou receber o rim do jovem. Segundo sua irmã, Nayara Furquim do Amaral, ela quis ter para sempre dentro dela um pedacinho do filho. 

Nayara contou ainda que o sobrinho, antes de morrer, se entristecia bastante vendo o sofrimento da mãe e queria ajudá-la, doando um de seus rins. O problema é que ele não tinha a idade mínima exigida por lei - 23 anos.

Kauan se conformou, então, em ajudar a mãe nas tarefas da casa e acompanhá-la nas sessões de hemodiálise no hospital,  três vezes por semana, até que pudesse fazer a doação.

 Na quarta-feira (4), os rins de Kauan foram captados em uma cirurgia múltipla realizada, com apoio de cerca de 40 profissionais. O transplante foi realizado com sucesso no Hospital das Clínicas de Botucatu (SP).

 

Por

Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais 'Hoje em Dia' e 'O Tempo' e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.