Justiça aceita denúncia contra suspeitos de matar advogado que ‘incomodava’ esquema de apostas
Policial militar está entre os suspeitos de executar advogado

A Justiça do Rio de Janeiro aceitou a denúncia do Ministério Público contra Leandro Machado da Silva, que é policial militar, Cezar Daniel Mondêgo de Souza e Eduardo Sobreira de Moraes, suspeitos de executar, a tiros, o advogado Rodrigo Marinho Crespo, no Centro do Rio de Janeiro, em 26 de fevereiro. A decisão é do juiz Cariel Bezerra Patriota, do III Tribunal do Júri da Capital, foi divulgada nessa segunda-feira (30). Os três suspeitos estão presos.
O juiz também decretou a prisão preventiva dos suspeitos, além de determinar o afastamento do cargo público e a suspensão do porte de arma de fogo do PM Leandro Machado.
Conforme denúncia do MP, Rodrigo foi assassinado porque sua atuação profissional “incomodava” a organização criminosa que atuava na exploração de jogos de apostas on-line.
Para o magistrado, a decretação da prisão preventiva assegura a aplicação da lei penal, impedindo que os réus fujam ou atrapalhem as investigações, além de garantir a manutenção da ordem pública.
“Cezar Mondego e Eduardo Sobreira atuaram, com consciência e vontade quanto ao desiderato, no monitoramento da vítima por dias para garantir o ‘melhor momento’ para a execução do advogado, e Leandro Machado, por sua vez, contribuiu, de forma voluntária e consciente quanto ao desiderato, com a locação do veículo utilizado pelos demais denunciados para os atos de monitoramento e vigilância da vítima”, declarou na decisão.
O advogado Rodrigo Marinho Crespo foi baleado 21 vezes por um homem encapuzado, em frente ao escritório de advocacia dele. “Esses fatos sugerem fortemente que o grupo responsável pela execução tinha a intenção de enviar uma mensagem clara, um "recado" significativo aos concorrentes, bem como de afronta ao próprio Estado Democrático de Direito. Essa forma de execução demonstra uma ausência de receio da atuação das instituições estatais responsáveis pela persecução penal ou, ainda, a demonstração de infiltração de seus agentes no próprio Estado, com a intenção de capturar a estrutura estatal”.
Quem era Rodrigo Marinho
Rodrigo era especialista em causas cíveis e empresariais e sócio-fundador do Marinho & Lima Advogados, que tem escritório na Avenida Marechal Câmara, no Centro do Rio.
Ele se formou na PUC-RJ, em 2005. Em 2008, se especializou na Fundação Getúlio Vargas (FGV), em Direito Civil Empresarial (contratos).
Jornalista formado pela Newton Paiva. É repórter da rádio Itatiaia desde 2013, com atuação em todas editorias. Atualmente, está como editor de Cidades, Brasil e Mundo.



