Hospital nega troca de bebês em maternidade de AL, e mãe questiona: 'Onde foi então?'
Justiça do Alagoas determina que hospital prove que não ocorreu nenhum erro; determinação é de que as famílias se encontrem de 15 em 15 dias

O Hospital Regional Nossa Senhora do Bom Conselho, localizado na cidade de Arapiraca, próximo de Maceió, em Alagoas deve apresentar a Justiça provas de que não foi o responsável pela troca dos bebês gêmeos Guilherme e Gabriel, que nasceram prematuros, no dia 21 de fevereiro de 2022. O hospital alega que "não fora praticada qualquer irregularidade ou erro de procedimento que pudesse, de algum modo, ter ocorrido a entrega dos recém-nascidos as genitoras de forma trocada".
A resposta do hospital revoltou os pais Débora e do Suelson, agricultores de São Sebastião, no agreste alagoano, que cobra indenização por danos morais. O valor pedido é de R$ 300 mil.
O caso que aconteceu em Alagoas foi descoberto após um menino, que era idêntico a outro da mesma região, apareceu em um vídeo e uma das mães investigou e descobriu a troca dos bebês. As crianças cresceram e fizeram dois anos. Foi quando uma amiga da Débora compartilhou com ela um vídeo que tinha visto na internet. Era Bernardo, filho da Maria Aparecida, que mora em Craíbas – cidade próxima de São Sebastião.
A negativa do erro consta na manifestação dentro do processo que os pais dos gêmeos movem, alegando que ela ocorreu por falha da maternidade, segundo o UOL.
"Eu entrei no hospital unicamente para ganhar os meus filhos e não imaginei o trauma que eu iria estar enfrentando hoje. E se esse erro não aconteceu lá, onde foi então?, questiona Débora Silva.
Na ação, a defesa de Débora alega que o hospital "claramente não ofereceu a segurança adequada aos recém-nascidos, além de não promover a identificação correta das crianças." "Foi registrado através de fotos que as pulseirinhas estavam presas nos berços, não nas crianças", diz.
Conforme o advogado dos pais dos gêmeos, Fabrizio Almeida, a alegação não se passa de uma linha de ficção.
"Essa alegação deles que a troca não ocorreu no hospital não se sustenta em nada, é apenas uma linha de ficção. Desde o início tentamos construir a solução através do diálogo, com uma reparação digna que a situação exigia, todavia as portas foram fechadas", diz ele.
Confira a nota do hospital:
O Hospital Regional Nossa Senhora do Bom Conselho é uma instituição filantrópica que existe desde 27 de agosto de 1990 e atende ambulatório, urgência e emergência de pacientes de 50 municípios do agreste de Alagoas. Com mais de 100 leitos, em média diz realizar 11 mil atendimentos por mês. Não fora praticada qualquer irregularidade ou erro de procedimento que pudesse, de algum modo, ter ocorrido a entrega dos recém-nascidos as genitoras de forma trocada, uma vez que enquanto estiveram na sede do hospital demandado foram devidamente identificadas, seguindo os protocolos de internação de recém-nascidos", disse.
Relemebre o caso
A história da família de Débora, Suelson e Maria Aparecida mudou completamente após um vídeo postado nas redes sociais. Nele, aparece uma criança de dois anos. O caso que aconteceu em Alagoas e nele, um menino era idêntico a outro da mesma região. Uma das mães investigou e descobriu: uma troca na maternidade aconteceu e separou os gêmeos.
Os pais Débora e do Suelson, agricultores de São Sebastião, no agreste Alagoano, passaram por um nascimento antecipado. Ela desenvolveu pressão alta e precisou ser encaminhada para um hospital maior em Arapiraca. Os gêmeos Guilherme e Gabriel nasceram prematuros, no dia 21 de fevereiro de 2022 e precisaram ficar alguns dias na UTI para ganhar peso. Na época, devido aos casos de Covid, o hospital informou que os bebês não poderiam receber visitas.

Os bebês foram liberados e nasceram no dia 12 de março de 2022 e até então, Débora achava que tinha gestado gêmeos bivitelinos, já que o médico não havia dado certeza se eles eram idênticos. Os bebês foram liberados três semanas após nascerem, no dia 12 de março de 2022. Débora ainda deseja manter a guarda de Guilherme, que tem problemas graves de saúde.
Um inquérito policial foi aberto para apurar o caso e a administração do hospital Regional Nossa Senhora do Bom Conselho – onde os partos foram feitos – informou em nota que está colaborando com as autoridades para o esclarecimento dos fatos.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.



