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Homem negro já estava algemado quando foi amarrado, mostram imagens

Ação ocorreu no último dia 4 de junho, em São Paulo, e despertou indignação de entidades ligadas aos direitos humanos 

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Vídeos mostram PMs amarrando pés e mãos de suspeito já algemado
Vídeos mostram PMs amarrando pés e mãos de suspeito já algemado • Reprodução/imagens de TV

Imagens acopladas ao uniforme dos policiais e do sistema de segurança de um prédio mostraram que Robson Rodrigo Francisco, um homem negro, já estava algemado no momento em que teve as mãos e as pernas amarradas com cordas, impedindo que ele ficasse de pé ou sentando, e submetendo-o a uma condição humilhante. Os vídeos foram reunidos e divulgados pelo portal G1.

A ação ocorreu no último dia 4 de junho, em São Paulo. Um dos policiais aperta as amarrações, deixando mãos e pés bem juntos, atrás do corpo do rapaz, na altura do quadril. No vídeo feito por uma testemunha, quando o suspeito foi levado para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), é possível ver Robson no chão, enquanto os policiais estão em pé. 

Na sequência, o rapaz é arrastado pelo chão por um dos agentes para dentro de uma sala. Depois, Robson é carregado por dois policiais militares, que o seguram pela corda e pela camiseta. Ainda amarrado, ele é colocado no porta malas de uma viatura. O caso despertou indignação de entidades ligadas aos direitos humanos.

A defesa de Robson disse, em nota, que “a estrutura do Estado se mostra desproporcional em todos os aspectos, quanto trata de reprimenda, especialmente ao pobre, negro e vulnerável social, desde seu nascimento até sua morte.” A nota acrescenta que “não há reabilitação, não há segunda chance. Há castigo sem reflexão e estigma pra sempre. E o recado é claro: desocupem nossas belas ruas, praças e locais dos cidadãos de bem, e, pois se necessário os amarraremos, arrastaremos por aí e nada há de nos acontecer”.

Acusado de furto em um supermercado, Robson foi mantido preso pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, onde o caso é analisado. Os policiais envolvidos na ocorrência de sua prisão seguem afastados das atividades operacionais, com “eventuais excessos” ainda sendo apurados, segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP).