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Exaustão térmica: o que é a condição que causou morte de fã de Taylor Swift

Ana Clara Benevides morreu após sofrer com condição causada pelo calor extremo durante show da 'The Eras Tour' no Rio de Janeiro

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Calor exige mais dos ventiladores, ares-condicionados e geladeiras
Calor exige mais dos ventiladores, ares-condicionados e geladeiras • Arquivo/Agência Brasil

O Instituto Médico Legal (IML) do Rio de Janeiro concluiu, nesta quarta-feira (27) a causa da morte da estudante Ana Clara Benevides, de 23 anos. A jovem estava no show da cantora Taylor Swift, no Estádio Nilton Santos, em 17 de novembro, quando sofreu uma exaustão térmica causada pelo calor.

Cardiologista, professor e palestrante, o Dr. Augusto Vilela explicou que a exaustão térmica 'ocorre quando o corpo não consegue dissipar o calor de forma eficiente, levando a um aumento da temperatura corporal'. Para uma pessoa em condições normais, a temperatura corporal ideal varia entre 36,5°C a 37°C. 'Na exaustão térmica, a temperatura corporal pode chegar acima de 38°C e levar a disfunção de órgãos', relatou o médico.


Ana Clara Benevides, de 23 anos, desmaiou no início da apresentaçãoO cardiologista definiu a exposição ao calor como a principal causa da exaustão térmica, mas afirmou que não é a única. Desidratação, excesso de atividade física, uso de medicamentos que prejudicam a transpiração, além de doenças crônicas e doenças cardíacas também podem contribuir para a condição.

Vilela explicou que a exaustão térmica provoca uma série de sintomas. Entre eles, estão fadiga, fraqueza, tontura, náusea e vômito. Além disso, a condição pode causar dor de cabeça, sudorese, pulso e respiração acelerados, além de pele fria a úmida. Em casos graves, como foi o de Ana Benevides, pode levar à morte.

Crianças, idosos, pessoas com doenças crônicas e que tomam certos tipos de medicamentos podem ser mais suscetíveis à exaustão térmica. Apesar disso, o especialista destacou que pessoas consideradas saudáveis também podem ser afetadas, 'especialmente se expostas ao calor por períodos prolongados ou se praticarem atividade física intensa em climas quentes'.

Como evitar e tratar a exaustão térmica

Para evitar a exaustão térmica, o médico destacou a importância de manter-se hidratado. A proteção da cabeça e dos olhos, além de evitar realização de atividades físicas intensas em períodos de muito calor, também são definidos como pontos importantes para a prevenção.

O tratamento envolve o resfriamento da pessoa afetada, que pode ocorrer por deslocamento para um local mais fresco, descanso e hidratação adequada. 'Em casos de exaustão térmica, é importante agir rapidamente para evitar que a situação se agrave', destacou o Dr. Augusto Vilela.

Fenômeno climático contribuiu para fatalidade

Mudanças climáticas e ondas de calor estão associadas a um aumento nos casos de exaustão térmica. Na data da morte da estudante, o Rio de Janeiro passava por uma onda de calor extremo, com temperaturas acima dos 40 ºC, e sensação térmica alcançando 59 ºC.

O laudo médico indicou que a universitária foi exposta a um calor extremo. A evolução clínica apontou para uma exaustão térmica, com quadro de choque cardiovascular e comprometimento grave dos pulmões, o que levou à morte súbita.

'Para amenizar a situação de exaustão térmica em um show ou outro evento, é importante haver um plano de emergência em caso de altas temperaturas', afirmou o cardiologista. Vilela destacou o fornecimento de água e bebidas reidratantes, além de orientações para evitar a exposição direta ao sol e o oferecimento de locais com sombra para descanso como medidas que devem fazer parte do plano.

Conforme orientações do médico, 'a prevenção é sempre a melhor forma de evitar a exaustão térmica'. Durante os shows de Swift no Rio de Janeiro, fãs da cantora afirmaram que a empresa responsável pelo show, a Tickets For Fun (T4F), proibiu a entrada com garrafas d’água, o que teria agravado a situação de calor extremo. O caso segue sendo investigado pelo Polícia.

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Pablo Paixão é graduado em Jornalismo, pela UFMG, e em Cinema e Audiovisual, pelo Centro Universitário UNA BH. Tem experiência em diferentes áreas da comunicação e marketing. Com passagem pela TV UFMG, na Itatiaia atuou inicialmente nas editorias de Entretenimento, Cultura e Minas Gerais. Atualmente, colabora com as editorias Pop e Carnaval.

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Maria Clara Lacerda é jornalista formada pela PUC Minas e apaixonada por contar histórias. Na Rádio de Minas desde 2021, é repórter de entretenimento, com foco em cultura pop e gastronomia.