Em meio à desconfiança entre políticos, reconstrução no RS passa por recursos e pela força do povo gaúcho
Itatiaia mostra como a população do Rio Grande do Sul lida com a reconstrução de suas vidas e do trabalho após dois meses

Os dois protagonistas são o governador Eduardo Leite (PSDB) e o ministro Paulo Pimenta (PT), nomeado pelo presidente Lula para chefiar ações do governo federal em solo gaúcho. O deputado federal por Minas Gerais, o tucano Aécio Neves, chamou a nomeação de Pimenta de "excrescência". O petista respondeu: "Aécio Neves? Não conheço".
A Itatiaia levou o questionamento dos gaúchos até os dois políticos. Leite e Pimenta confirmam que têm divergências, mas negam que isso irá prejudicar as conversas em prol da reconstrução do Estado.
"Como governador, meu papel não é fazer debate político, é resolver e encaminhar soluções para os problemas. Tem parlamentares para fazer o debate político, tem a crítica especializada, analistas políticos. O Governo do Estado acompanha esse tema e nós buscamos viabilizar, junto a outros estados, apoio em bombas de drenagem, o governo federal se envolveu também viabilizando o transporte, é uma soma de esforços para a gente ajudar a resolver os problemas das pessoas", afirmou Eduardo Leite.
"Eu tenho muita coisa para fazer. Começo a trabalhar às seis da manhã todos os dias, vou até 10 da noite, meia-noite. [Tenho] reuniões com o governador, com os prefeitos, vou nos abrigos, nos locais, estou conversando com as pessoas. Então, minha atenção tem que ser para isso. Não posso ficar entrando em discussões com pessoas que estão longe do Rio Grande do Sul e que não conhecem nossa realidade", disse Pimenta.
Reconstrução da infraestrutura pode custar R$ 60 bilhões
O balanço mais atualizado do governo federal mostra que R$ 85,7 bilhões já foram investidos para custear medidas de socorro e apoio à população, empresários e administrações estaduais e municipais desde o início da calamidade no final de abril deste ano. Na prática, boa parte desse dinheiro se dá por meio da abertura de linhas de crédito e não se trata de dinheiro que vai cair de maneira direta nos cofres do estado, dos municípios ou da população.
"A gente teve vários anúncios realizados e, quando a gente vai analisar cada um deles, a gente vê que muitos deles são adiantamentos de valores ou linhas de financiamento. Os recursos que estão chegando na ponta não são dessa monta. E tem, obviamente, repasses que são realizados pelo governo federal através de suas políticas públicas, inclusive de assistência social nã se confundem com a do estado. O Estado vem, também, adotando suas medidas em caráter emergencial para poder auxiliar as pessoas. Desde o 'Volta por Cima', que é um programa estadual criado no ano passado e que teve suas primeiras parcelas pagas na primeira tragédia, no ano passado, como a reedição desse programa. O recurso federal tem a sua competência, a sua destinação e, desses R$ 85 [bilhões] não é tudo isso que é entregue na ponta para o cidadão, mas o Governo do Estado não depende apenas desses recursos", explica o mineiro Gabriel Fajardo, secretário adjunto da Secretaria da Reconstrução Gaúcha.
De acordo com ele, somente na infraestrutura os prejuízos no Rio Grande Sul são de até R$ 60 bilhões.
'Todo mundo precisa de ver esse recomeço'
Em maio, no auge das inundações, a reportagem esteve na avenida Getúlio Vargas, no bairro Menino Deus. A água havia acabado de baixar e o cheiro era muito forte. Móveis comprados, uma vida de trabalho jogados na calçada. A lama tomava conta de tudo. Neste momento, nós encontramos a empresária Andréia de Sá, lavando o que sobrou da hamburgueria Bauru, que está na família há três décadas. Dentro do comércio, a água atingiu quase dois metros de altura.

"Para ser sincera, não sei o que vai me sobrar para começar o atendimento. Tive perda total de freezer, a sujeira e o cheiro é bem forte. Mas a gente já vem sentindo menos odor, vamos higienizar e ver como é que fica. A gente tem que ter paciência", disse à época.
Dois meses após o início das chuvas, Itatiaia voltou ao comércio de Andreia. E encontrou a hamburgueria de portas abertas. A comerciante conseguiu se reerguer com a ajuda de funcionários, amigos e outros empresários. A empresária diz que teve fé e acreditou na força do trabalho.
"A loja ficou submersa 12 dias, mais 15 dias para limpar, ajuda de muitas pessoas, família e amigos e, inicialmente, parecia que não ia dar certo, que a gente não ia conseguir. O recomeço é importante porque as pessoas contam um pouco com isso. Assim como eu preciso que meu fornecedor de carne se recupere, mantenha o trabalho dele para que eu possa continuar fornecendo um bom produto, mas as pessoas precisam ver esse recomeço de todo mundo, cada um no seu segmento", relata.
Correspondente da Rádio Itatiaia em São Paulo. Apresentador do quadro Palavra Aberta e debatedor do Conversa de Redação. Ingressou na emissora em 2023. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. No rádio, teve passagens pela Alvorada FM, BandNews FM e CBN, no Grupo Globo. Na Band, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na Band News FM BH. Na televisão, participava diariamente da TV Band Minas e do Band News TV. Vencedor de nove prêmios de jornalismo. Em 2023, foi reconhecido como um dos 30 jornalistas mais premiados do Brasil.



