Belo Horizonte
Itatiaia

Delator do PCC executado em aeroporto se negou a entrar em programa de proteção

Em março, quando Vinicius Gritzbach fechou um acordo de delação premiada, foi oferecido a ele o programa de proteção, mas ele recusou

Por
Antonio Vinícius Lopes Gritzbach deu primeira e única entrevista em fevereiro de 2024. • Reprodução | Record

Vinicius Gritzbach, que morreu na última sexta-feira (8) executado pelo PCC, não quis fazer parte do programa de proteção de réu colaborador. A informação foi confirmada pelo Ministério Público de São Paulo.

Leia mais:

Em março, quando Gritzbach fechou um acordo de delação premiada, foi oferecido a ele o programa de proteção, mas o empresário afirmou que teria como custar a própria segurança. Isso porque, caso optasse pela proteção, ele teria que "romper com todos os laços que tinha, inclusive com o envolvimento com o crime", em entrevista à Globonews, o promotor de Justiça Lincoln Gakiya.

A versão apresentada pelo Ministério Público de São Paulo foi confirmada pela defesa de Vinicius Gritzbach.

Leia a íntegra da nota do Ministério Público sobre o caso

"O MPSP informa que, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), fez uma oferta formal de proteção ao réu colaborador Antônio Vinicius Lopes Gritzbach e seus familiares, na presença de seus advogados, para incluí-los no Programa Estadual de Proteção a Vítimas e Testemunhas (PROVITA/SP). Entretanto, o beneficiário do Acordo de Colaboração Premiada recusou a proposta, alegando que pretendia continuar em sua rotina e gerindo seus negócios. O MPSP ressalta ainda que, ao lado das demais autoridades de São Paulo, envidará todos os esforços para chegar à autoria do homicídio registrado nesta sexta-feira e punir, de maneira exemplar, os responsáveis por esse crime. Episódios como esse são intoleráveis, desafiando a sociedade e o Estado, que dará uma resposta vigorosa aos que insistem em caminhar à margem da lei"

Executado a tiros no aeroporto

Vinicius voltava de Maceió na última sexta-feira (8) com a namorada e seria recebido pelo filho no aeroporto, que estava acompanhado de quatro seguranças - todos os policiais militares. De acordo com Guilherme Flauzino, advogado dos policiais que faziam a segurança, eles não têm envolvimento na execução do empresário.

“Estavam apenas trabalhando, fazendo seu bico. Eles cuidavam do filho do Vinícius como se fosse filho deles”, explicou.

Os PMs que trabalhavam na segurança de Vinícius foram ouvidos e estão afastados das funções na corporação temporariamente. Em nota a Polícia Civil informou que armas que estavam em mochilas encontradas perto do aeroporto serão periciadas. Elas podem ter sido usadas no ataque e que as investigações prosseguem.

Quando foi morto, o empresário trazia na bagagem joias que, segundo a polícia, estariam avaliadas em R$ 1 milhão. Elas seriam o pagamento de uma dívida e um dos motivos para a viagem até Maceió.

Por

Ana Luisa Sales é jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na Itatiaia desde 2022, já passou por empresas como ArcelorMittal e Record TV Minas. Atualmente, escreve para as editorias de cidades, saúde e entretenimento