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Consumo de livros cresce e atrai 3 milhões de novos leitores em 2025

Pesquisa aponta alta entre jovens, avanço das redes sociais e desafios como preço e acesso a livrarias no Brasil

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Disney Brasil promove contação de histórias na Livraria Leitura Bh Shopping e Shopping Del Rey
Disney Brasil promove contação de histórias na Livraria Leitura Bh Shopping e Shopping Del Rey • Pixabay/ reprodução/ imagem ilustrativa

O número de consumidores de livros cresceu no Brasil em 2025, segundo pesquisa divulgada nesta quinta-feira (26) pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) em parceria com a Nielsen BookData. De acordo com o levantamento, 18% da população com mais de 18 anos comprou ao menos um livro, impresso ou digital, no último ano — um aumento de 2 pontos percentuais em relação a 2024, o equivalente a 3 milhões de novos consumidores.

“O crescimento de 3 milhões de novos consumidores em um único ano mostra que o livro mantém sua relevância e que há espaço consistente para a expansão do mercado editorial brasileiro”, afirmou a presidente da CBL, Sevani Matos. Segundo a entidade, o avanço é resultado de uma cadeia que envolve editoras, livrarias, autores, influenciadores, políticas públicas e iniciativas de incentivo à leitura.

O estudo Panorama do Consumo de Livros ouviu 16 mil pessoas em outubro de 2025, incluindo consumidores e não consumidores. Entre os que não compraram livros no período, cerca de 35 milhões (28%) apontaram a falta de livrarias ou lojas próximas como principal obstáculo. Outros 35% disseram considerar os livros caros.

Ainda entre os não compradores, 16,3% afirmaram ter baixado livros digitais gratuitos, enquanto 16,1% relataram acesso a PDFs sem custo. Coordenadora de Pesquisas Econômicas e Setoriais da Nielsen BookData, Mariana Bueno destacou que parte desses casos está ligada à pirataria. “Para a gente [do setor livreiro], pirataria é demanda. Ou seja, são pessoas que estão, de alguma maneira, lendo mas não comprando. A gente diz que é uma demanda reprimida, que tem a possibilidade de o mercado alcançar, pensar ações para alcançar esse grupo de pessoas”, disse.

Perfil dos consumidores

As mulheres representam 61% dos consumidores de livros no país. No recorte por raça, classe e gênero, mulheres negras da classe C lideram, com 15% do total. O maior crescimento foi registrado entre jovens de 18 a 34 anos, com alta de 3,4 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Para Sevani Matos, as redes sociais têm papel central nesse avanço. “Criadores de conteúdo, recomendações online e comunidades virtuais têm ampliado o alcance da literatura, especialmente entre os mais jovens”, afirmou.

De acordo com Mariana Bueno, os livros de colorir também influenciaram o crescimento. Em 2025, 7,1% da população adulta, cerca de 11 milhões de pessoas, comprou ao menos um exemplar, o que representa 40% dos consumidores. “Mas os dados do varejo indicam que os títulos de ficção, especialmente os Young Adult, tiveram papel decisivo nessa alta. São obras voltadas a um público mais jovem e conectado, o que dialoga diretamente com os resultados observados na pesquisa”, acrescentou.

A pesquisa aponta ainda que 56% dos consumidores compram livros por meio das redes sociais. Mulheres entre 25 e 54 anos representam 76% desse público e 26% do total de compradores nessas plataformas. Na última compra, 80% adquiriram livros impressos e 20% optaram por versões digitais. Além disso, 70% afirmam acompanhar lançamentos, principalmente por sites de compras (34%), indicações de conhecidos (30%), livrarias (24%) e criadores de conteúdo (22%).

As livrarias seguem com papel relevante: 53% dos consumidores as veem como espaços para relaxar e explorar, enquanto 46% associam esses ambientes à cultura e ao conhecimento. Na última compra de livro impresso, 53% foram realizadas online e 47% em lojas físicas. “O livro não é apenas um produto, mas uma experiência cultural. Fortalecer livrarias, bibliotecas e políticas de acesso é fundamental para sustentar esse crescimento”, concluiu Sevani Matos.

* Com informações de Agência Brasil

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