Condenada por matar os quatro filhos tem sentença revertida com ajuda da ciência: entenda
Australiana Kathleen Folbigg ficou presa por 16 anos; novas evidências envolvem uma rara variante genética

A australiana Kathleen Folbigg, de 55 anos, que foi condenada em 2003 pelo assassinato de seus quatro filhos — Caleb, Patrick, Sarah, Laura — foi solta no mês passado depois de 16 anos de prisão. Nesse domingo (2), o Fantástico, da TV Globo, trouxe detalhes de como ocorreu a reviravolta do caso.
Entenda
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Kathleen casou em 1987, aos 20 anos, e teve o primeiro filho, Caleb, em 1989. Um ano depois, a australiana engravidou de novo e veio Patrick - que morreu com oito meses. Em 1992, aconteceram a terceira gravidez e a terceira morte: Sarah, com dez meses. Em 1997, nasceu Laura que, com um ano e meio, faleceu. A mãe era a única pessoa que estava em casa quando cada filho morreu.
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As três primeiras mortes foram atribuídas à síndrome da morte súbita infantil. Mas a quarta morte que levantou suspeita e o médico registrou a causa como “indeterminada”;
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Os casos foram para a Justiça;
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Trechos do diário Kathleen foram revelados. Em uma das passagens, ela teria escrito: "com a Sarah, tudo o que eu queria era calar sua boca. E um dia ela se calou";
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Em 2003, Kathleen, aos 36 anos, foi condenada a 40 anos de prisão. Ela negou o crime.
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Tudo mudou em 2019. Uma pesquisadora, ao fazer testes genéticos, o sequenciamento do genoma das crianças e da mãe, levantou dúvidas sobre a decisão;
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A partir do sangue retirado no teste do pezinho, a pesquisadora descobriu que as duas filhas de Kathleen - Sarah e Laura - tinham uma variante até então desconhecida do gene calm2;
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Esse gene regula uma proteína chamada calmodulina, que tem um papel importante pros níveis de sódio, potássio e cálcio – que ajudam a manter uma função cardíaca saudável. As variações dessa proteína podem causar arritmia cardíaca e morte súbita;
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Em uma cidade da Europa, um menino de 4 anos morreu repentinamente e a irmã de 5 sofreu uma parada cardíaca. Isso significava que uma variante semelhante tinha sido encontrada;
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Os pesquisadores descobriram que os filhos Caleb e Patrick tinham variantes raras de outro gene, o BSN – associado a casos de epilepsia;
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As novidades convenceram os principais cientistas do mundo. Dois deles foram vencedores do Prêmio Nobel. A categoria se organizou para criar uma petição para que o caso fosse reavaliado pela Justiça;
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A Justiça entendeu existem “dúvidas razoáveis” sobre a culpa de Kathleen. Ela foi solta no início de junho.
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