Chuva no RS: Aeroporto de Porto Alegre suspende operações por tempo indeterminado
Empresa responsável pelo terminal citou 'elevado volume de chuvas' e 'segurança de funcionários e passageiros; voos foram cancelados

O Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, suspendeu por tempo indeterminado todas as operações de pousos e decolagens em razão das fortes chuvas que atingem o Estado do Rio Grande do Sul desde o começo da semana. O aviso foi informado pela Fraport Brasil, empresa que administra o aeroporto, na noite desta sexta-feira, 3.
"A Fraport Brasil - Porto Alegre informa que, devido ao elevado volume de chuvas que atingem o Rio Grande do Sul nos últimos dias, e para garantir a segurança de funcionários e passageiros, as operações de pouso e decolagem estão suspensas no Porto Alegre Airport, por tempo indeterminado. Aos passageiros, pedimos que entrem em contato com a sua companhia aérea para mais informações sobre os seus voos", informou em nota.
No início da noite desta sexta, a Latam informou que todos os voos feitos pela companhia partindo e chegando a Porto Alegre, até sábado, 4, às 12h, foram cancelados por conta das fortes chuvas. O trajeto entre em Caxias do Sul e Passo Fundo segue normalmente, afirmou a Latam, mas existe a possibilidade de mudanças em razão dos temporais.
Em nota, a companhia orienta que os passageiros "evitem se deslocar para o Aeroporto Salgado Filho" e que consultem com antecedência o status dos voos de e para Caxias do Sul e Passo Fundo no site da empresa.
O comunicado, publicado na última quarta-feira, informa ainda que os passageiros interessados em remarcar o voo deverão deixar o valor da passagem em crédito com a companhia. A Gol garantiu que não haverá cobrança da taxa de cancelamento, e os clientes também ficarão isentos de pagar a taxa de remarcações.
Em um breve comunicado, feito às 20h40 desta sexta, a companhia Azul cancelou os voos e pediu aos passageiros para não irem ao aeroporto e que aguardem a empresa entrar em contato.
Capital gaúcha viu situação se agravar nesta sexta
O cenário de inundações começou a se agravar nesta sexta-feira, 3, na capital gaúcha. A estimativa é que o Guaíba chegue a 5,5 metros entre esta sexta-feira, 3, e o sábado, 4, o que é quase o dobro da cota de inundação. Há o temor de que possa colapsar o sistema de contenção contra cheias da cidade (que envolve comportas, muro, vias elevadas e bombeamento de água).
A recomendação é ampliar a evacuação assim que o Guaíba chegar a 5 metros, o que poderia ocorrer ainda nesta sexta-feira, 3. Por enquanto, a prefeitura recomendou a saída da população do centro histórico, das ilhas e do 4º Distrito - antiga área industrial que abrange os bairros Floresta, Navegantes, Humaitá, São Geraldo e Farrapos. Bloqueios foram feitos em alguns acessos. Também foram retirados moradores de outros pontos da cidade.
O mapa abaixo, elaborado pelo Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), mostra as áreas com maior potencial de serem atingidas pelas águas caso o sistema de controle de enchentes entre em colapso. A projeção considerou as áreas afetadas na então maior enchente da cidade, de 1941 (na cor roxa).
Governo prioriza resgate em áreas isoladas
Com mais de 8 mil resgatados de bote, helicóptero e caminhões, ainda há pessoas isoladas em diferentes localidades do Rio Grande do Sul após a chuva extrema registrada nos últimos dias. Em coletiva de imprensa, a Defesa Civil declarou que a prioridade será chegar àqueles que estão isolados e há mais de 72 horas sem alimentação e água.
Os cerca de 170 bloqueios estão entre as maiores dificuldades de acesso a diversas localidades, especialmente na região central, na Região dos Vales e na Serra Gaúcha. "Ainda há muito estrago, dificuldade para acessar e pessoas a resgatar", disse o governador Eduardo Leite (PSDB). Com o solo encharcado, áreas também estão em risco de deslizamento, mas o Estado avalia que melhores condições climáticas vão permitir acesso maior à população a partir do sábado, 4.
Temporais no RS
Desde o início da semana, o estado sofre com temporais e inundações em 235 municípios. Segundo os dados mais recentes, divulgados na tarde desta sexta-feira (3), as chuvas já deixaram 39 mortos, 68 desaparecidos e afetaram mais de 350 mil pessoas. Mais de 23 mil gaúchos estão desalojados.
De acordo com Inmet, a chuva volumosa estacionou em cima do estado, que sofre com os grandes volumes de precipitação desde segunda-feira (29). Algumas regiões, especialmente nas regiões central dos vales, planalto, encosta da serra e metropolitana, os volumes de chuva chegaram a passar dos 300 milímetros (mm) em menos de uma semana. Bento Gonçalves, por exemplo, chegou a registrar 543,4 mm de chuva.
O nível do rio Taquari, que percorre a Região dos Vales, uma das mais atingidas pelas chuvas, chegou aos 30 metros, a maior marca da história. Em Porto Alegre, o nível do rio Guaíba está a 4,6 metros acima do nível normal. A água já chegou ao centro da capital gaúcha e atingiu o Centro de Treinamento do Internacional.
A Marinha do Brasil enviou equipes, embarcações, aeronaves e viaturas para ajudar no resgate. A Força Aérea Brasileira enviou dois helicópteros para resgatar vítimas em cidades isoladas por causa das interdições nas rodovias, como Candelária, por exemplo.
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