Brigadeirão envenenado: suspeita de matar empresário ganha apelido inusitado na cadeia
Júlia Cathermol Andrade Pimenta, 29 anos, passou a primeira noite na prisão e se surpreendeu com a repercussão do caso

A psicóloga Júlia Cathermol Andrade Pimenta, 29 anos, suspeita de matar o namorado com um brigadeirão envenenado, passou a primeira noite na prisão. A mulher se entregou à polícia na última terça-feira (4), após ficar uma semana foragida.
Na manhã de quinta-feira (5), Júlia foi transferida para a Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Ao chegar na prisão, ela se surpreendeu com a recepção das outras presas, que a apelidaram de "chocolate".
Polícia investiga se cigana mandou Júlia matar empresário
Júlia Pimenta é a principal suspeita de matar o empresário Luiz Marcelo Antonio Ormond, de 45 anos. De acordo com as investigações, a psicóloga dissolveu 50 pílulas de um analgésico com altas doses de morfina em um brigadeirão para envenenar o namorado.
Porém, agora, a Polícia Civil do Rio de Janeiro suspeita que, na verdade, a "mandante" do crime foi outra pessoa. Os investigadores acreditam que cigana Suyany Breschak teria arquitetado a morte de Luiz Marcelo.
“Nesse momento, podemos falar com bastante segurança que há nos autos muitos elementos indicativos de que Suyany seria a mandante e a arquiteta desse plano criminoso”, afirmou Buss.
Suyany foi presa na noite do dia 28 de maio, em Cabo Frio, na região dos Lagos. Ela já era investigada por ter participado do crime e ajudado Júlia a se desfazer dos bens do empresário após o assassinato. Após ouvir testemunhas, a polícia começou a desconfiar que ela e a psicóloga teriam tramado a morte de Luiz Marcelo por mensagens de celular.
Entenda o crime
Luiz foi dado como desaparecido no dia 17 de maio. Câmeras de segurança flagraram Júlia e Luiz Marcelo no dia da morte do empresário. As imagens, gravadas pelas câmeras de monitoramento do prédio onde o casal morava, no bairro Engenho de Dentro, na Zona Norte da capital, flagraram a vítima com o doce em mãos, dentro do elevador.
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A primeira imagem é do dia 17 de maio, dia da morte do empresário. Às 17h04, o casal aparece no elevador do prédio com duas cervejas e um prato em mãos. Os dois descem até a portaria e voltam 40 minutos depois. Às 17h46, o casal aparece novamente no elevador já sem as cervejas, mas ainda com o prato. Para a polícia, existe a possibilidade do prato conter o brigadeiro envenenado. Neste mesmo dia, Luiz Marcelo come o brigadeirão e morre.
O laudo da necrópsia não determinou a causa da morte. No entanto, os peritos identificaram uma pequena quantidade de líquido achocolatado no sistema digestivo. De acordo com o laudo, Luiz morreu três ou seis dias antes do corpo ser localizado. Com isso, a polícia acredita que Júlia chegou a dormir na mesma casa onde estava o cadáver durante todo o fim de semana dos dias 18 e 19 de maio.
No dia 19, as câmeras do prédio filmaram Júlia dentro do elevador, vestida com uma roupa de academia. Às 10h53, ela volta para o apartamento sozinha e parece mandar um áudio ainda dentro do elevador. No dia seguinte, em 20 de maio, Júlia aparece deixando o prédio com uma mala.
Na fuga, a suspeita teria levado os pertences do empresário e o carro dele. Nesse tempo, ainda segundo a polícia, ela chegou a enviar mensagens pelo celular do empresário se passando por ele. No mesmo dia, após Júlia fugir, o corpo do empresário foi encontrado no apartamento. Vizinhos chamaram a polícia após sentirem um cheiro forte no local.
Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.


