Brigadeirão envenenado: suspeita de matar empresário foi para casa de outro namorado após o crime
Júlia Cathermol Andrade Pimenta ficou do dia 22 a 27 de maio na casa de Jean Cavalcante Azevedo; depois, suspeita se hospedou em hotel com nome falso

A psicóloga Júlia Cathermol Andrade Pimenta, 29 anos, suspeita de matar o namorado Luiz Marcelo Antônio Ormond com um brigadeirão envenenado, ficou 14 dias desaparecida antes de se entregar para a polícia nessa terça-feira (4).
Em depoimento, um outro namorado da suspeita contou que ela foi para a casa dele após deixar o prédio da vítima. Jean Cavalcante Azevedo afirma que não fazia ideia que Júlia tinha um outro relacionamento.
Júlia chegou a prestar depoimento no dia 22 de maio, mas foi liberada por falta de base legal para a prisão. Ainda no dia 22, após ouvir a suspeita, a polícia pediu que a Justiça do Rio de Janeiro expedisse um mandado de prisão contra a mulher, o que foi feito no dia 28 de maio.
Segundo Jean, a psicóloga ficou do dia 22 ao dia 27 na casa dele em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. Quando a mulher chegou na casa do namorado, ela trocou o chip do telefone sob a justificativa que estaria recebendo muitas mensagens de telemarketing. No dia 28, a polícia foi até a casa de Jean, mas Júlia já não estava mais lá.
Polícia investiga se cigana mandou Júlia matar empresário
Júlia Pimenta é a principal suspeita de matar o empresário Luiz Marcelo Antonio Ormond, de 45 anos. De acordo com as investigações, a psicóloga dissolveu 50 pílulas de um analgésico com altas doses de morfina em um brigadeirão para envenenar o namorado.
Porém, agora, a Polícia Civil do Rio de Janeiro suspeita que, na verdade, a “mandante” do crime foi outra pessoa. Os investigadores acreditam que cigana Suyany Breschak teria arquitetado a morte de Luiz Marcelo.
“Nesse momento, podemos falar com bastante segurança que há nos autos muitos elementos indicativos de que Suyany seria a mandante e a arquiteta desse plano criminoso”, afirmou Buss.
Suyany foi presa na noite do dia 28 de maio, em Cabo Frio, na região dos Lagos. Ela já era investigada por ter participado do crime e ajudado Júlia a se desfazer dos bens do empresário após o assassinato. Após ouvir testemunhas, a polícia começou a desconfiar que ela e a psicóloga teriam tramado a morte de Luiz Marcelo por mensagens de celular.
Prostituição e segundo namorado
À polícia, Suyany disse que Júlia passava os fins de semana com Jean e os outros dias da semana com Luiz Marcelo. Eventualmente, ela fazia trabalhos como garota de programa.
Segundo a cigana, o empresário sabia que Júlia era garota de programa, já que a conheceu há 10 anos através de uma plataforma online dedicada a venda do serviço sexual. Suyany disse que a psicóloga costumava pedir trabalhos que envolviam “limpeza espiritual” e rituais para atrair mais clientes, além de serviços para ajudá-la a esconder a fonte de renda de familiares e namorados.
Entenda o crime
Luiz foi dado como desaparecido no dia 17 de maio. Câmeras de segurança flagraram Júlia e Luiz Marcelo no dia da morte do empresário. As imagens, gravadas pelas câmeras de monitoramento do prédio onde o casal morava, no bairro Engenho de Dentro, na Zona Norte da capital, flagraram a vítima com o doce em mãos, dentro do elevador.
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A primeira imagem é do dia 17 de maio, dia da morte do empresário. Às 17h04, o casal aparece no elevador do prédio com duas cervejas e um prato em mãos. Os dois descem até a portaria e voltam 40 minutos depois. Às 17h46, o casal aparece novamente no elevador já sem as cervejas, mas ainda com o prato. Para a polícia, existe a possibilidade do prato conter o brigadeiro envenenado. Neste mesmo dia, Luiz Marcelo come o brigadeirão e morre.
O laudo da necrópsia não determinou a causa da morte. No entanto, os peritos identificaram uma pequena quantidade de líquido achocolatado no sistema digestivo. De acordo com o laudo, Luiz morreu três ou seis dias antes do corpo ser localizado. Com isso, a polícia acredita que Júlia chegou a dormir na mesma casa onde estava o cadáver durante todo o fim de semana dos dias 18 e 19 de maio.
No dia 19, as câmeras do prédio filmaram Júlia dentro do elevador, vestida com uma roupa de academia. Às 10h53, ela volta para o apartamento sozinha e parece mandar um áudio ainda dentro do elevador. No dia seguinte, em 20 de maio, Júlia aparece deixando o prédio com uma mala.
Na fuga, a suspeita teria levado os pertences do empresário e o carro dele. Nesse tempo, ainda segundo a polícia, ela chegou a enviar mensagens pelo celular do empresário se passando por ele. No mesmo dia, após Júlia fugir, o corpo do empresário foi encontrado no apartamento. Vizinhos chamaram a polícia após sentirem um cheiro forte no local.
Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.


