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Brigadeirão envenenado: ex-marido acusa cigana de ameaçar os próprios filhos de morte

Suyany Breschak teria ameaçado envenenar os filhos, de 6 e 9 anos, caso o pai deles não reatasse o relacionamento com ela; cigana também é acusada de agredir as crianças

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Caso brigadeirão: polícia deve indiciar cigana e namorada de empresário por homicídio | CNN Brasil
Polícia acredita que Suyany Breschak, de 27 anos, mandou matar o empresário Luiz Marcelo Antônio Ormond, de 45 • Créditos: CNN Brasil

O ex-marido da cigana Suyany Breschak, de 27 anos, uma das suspeitas de matar o empresário Luiz Marcelo Antônio Ormond, de 45, acusa a mulher de ter ameaçado os próprios filhos de morte. A jovem está presa desde o dia 28 de maio, sob suspeita de ser a mandante do crime. As informações são do portal UOL.

Orlando Ianovich Neto afirma que, cinco dias após o corpo do empresário ser encontrado, a cigana enviou um áudio para a mãe dele, ex-sogra de Suyany. Na mensagem, a cigana teria ameaçado matar os próprios filhos com veneno, caso Orlando não voltasse para ela. O ex-casal tem dois filhos, de 6 e 9 anos. Eles ficaram juntos por 12 anos, mas a relação chegou ao fim no ano passado.

Ex-marido diz que cigana maltratava os filhos

Ao UOL, Orlando afirmou que está cansado das chantagens emocionais que a ex vêm fazendo desde que terminou o relacionamento. Ele acusa Suyany de ter o sequestrado, além de ter furtado um carro de sua propriedade. Os dois casos estão sendo investigados pela polícia.

O ex-marido da cigana também afirma que o filho mais velho, de nove anos, teria contado para as professoras e para o psicólogo da escola que apanhava da mãe. Segundo a diretora da instituição, a criança não estaria se alimentando, não fazia as lições de casa e não se higienizava direito.

"Uma coisa é ela fazer essas loucuras com a gente que é adulto. Mas quando se trata das crianças, aí a gente não acredita que uma mãe seja capaz disso. Mas é. Hoje conversei com a diretora da escola onde meus filhos estudam e descobri que a equipe já desconfiava que a Suyany maltratava as crianças. O meu mais velho confirmou. Diz que não quer voltar a ficar com ela. Estou cansado disso tudo", desabafou.

Entenda o crime

Luiz foi dado como desaparecido no dia 17 de maio. Câmeras de segurança flagraram Júlia e Luiz Marcelo no dia da morte do empresário. As imagens, gravadas pelas câmeras de monitoramento do prédio onde o casal morava, no bairro Engenho de Dentro, na Zona Norte da capital, flagraram a vítima com um brigadeirão em mãos, dentro do elevador.

À polícia, a namorada dele, a psicóloga Júlia Cathermol Andrade Pimenta, de 29 anos, teria colocado 60 comprimidos de um medicamento à base de morfina no doce. Exames confirmaram a presença da substância no corpo do empresário.

A primeira imagem é do dia 17 de maio, dia da morte do empresário. Às 17h04, o casal aparece no elevador do prédio com duas cervejas e um prato em mãos. Os dois descem até a portaria e voltam 40 minutos depois. Às 17h46, o casal aparece novamente no elevador já sem as cervejas, mas ainda com o prato. Neste mesmo dia, Luiz Marcelo come o brigadeirão e morre.


Luiz Marcelo e Júlia Andrade no elevador no dia do desaparecimento. Empresário segura prato que investigadores indicam conter De acordo com o laudo da necrópsia, Luiz morreu três ou seis dias antes do corpo ser localizado. Com isso, a polícia acredita que Júlia chegou a dormir na mesma casa onde estava o cadáver durante todo o fim de semana dos dias 18 e 19 de maio.

No dia 19, as câmeras do prédio filmaram Júlia dentro do elevador, vestida com uma roupa de academia. Às 10h53, ela volta para o apartamento sozinha e parece mandar um áudio ainda dentro do elevador. No dia seguinte, em 20 de maio, Júlia aparece deixando o prédio com uma mala.

Na fuga, a suspeita teria levado os pertences do empresário e o carro dele. Nesse tempo, ainda segundo a polícia, ela chegou a enviar mensagens pelo celular do empresário se passando por ele. No mesmo dia, após Júlia fugir, o corpo do empresário foi encontrado no apartamento. Vizinhos chamaram a polícia após sentirem um cheiro forte no local.

Suspeitas foram presas

Júlia chegou a prestar depoimento a polícia no dia 22 de maio, dois dias após o corpo de Luiz Marcelo ter sido encontrado. Porém, ela foi liberada por falta de base legal para a prisão. Ainda no dia 22, após ouvir a suspeita, a polícia pediu que a Justiça do Rio de Janeiro expedisse um mandado de prisão contra a mulher, o que foi feito no dia 28 de maio.

Além de Luiz Marcelo, a psicóloga tinha um outro relacionamento com Jean Cavalcante Azevedo. Após ser ouvida pela polícia, Júlia foi para a casa de Jean, em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, onde ficou do dia 22 ao dia 27. No dia 28, a polícia foi até o local, mas Júlia já não estava mais lá. No mesmo dia, ela foi para um hotel e usou um nome falso para se hospedar. No dia 4 de maio, após ficar uma semana foragida, a psicóloga decidiu se entregar para a polícia.

Já Suyany foi presa na noite do dia 28 de maio, em Cabo Frio, na região dos Lagos. Ela já era investigada por ter participado do crime e ajudado Júlia a se desfazer dos bens do empresário após o assassinato. Após ouvir testemunhas, a polícia começou a desconfiar que ela e a psicóloga teriam tramado a morte de Luiz Marcelo por mensagens de celular.

Suyany Breschak se apresentava como Cigana Esmeralda na internet e fazia sucesso nas redes sociais, em uma delas a mulher tinha quase 700 mil seguidores. Na descrição do seu perfil, ela dizia ser “cigana legítima de berço”. Suyany chegava a cobrar até R$ 1.000 para fazer uma “amarração do amor”. À polícia, a mulher disse que Júlia estaria devendo R$ 600 mil a ela, por isso a ajudou.

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Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.