Brasileiras presas após terem as malas trocadas são soltas na Alemanha
Etiquetas com os nomes das duas foram colocadas em malas com cocaína; elas ficaram mais de um mês presas em Frankfurt

As brasileiras Jeanne Paollini e Kátyna Baía, presas em Frankfurt, na Alemanha, foram soltas na manhã desta terça-feira (11). As mulheres estavam detidas desde o dia 5 de março - acusadas de tráfico de drogas - e conseguiram a liberdade após autorização da justiça alemã.
De acordo com a Polícia Federal, as duas teriam saído do aeroporto Santa Genoveva, em Goiânia (GO), com destino à Frankfurt. Elas fizeram uma escala no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), onde tiveram as etiquetas trocadas e colocadas em malas com drogas por um grupo criminoso que atuava na área restrita do aeroporto.
Segundo a PF, as mulheres negaram o crime. Ainda de acordo com as autoridades policiais, há uma série de evidências que comprovam a inocência das brasileiras, como a cor e o modelo diferente das malas embarcadas.
Jeanne é médica veterinária, e Kátyna, empresária. Ambas são casadas e viajavam de férias pela Europa.
Vídeos da área interna do aeroporto também comprovaram a inocência das brasileiras. As imagens mostram o casal saindo de casa com uma mala preta e outra rosa. No aeroporto, o circuito interno revela que dois funcionários identificam, separam e, discretamente, retiram a etiqueta delas.
Nessa quinta-feira (6), o Ministério da Justiça do Brasil encaminhou à Justiça alemã o inquérito policial e os vídeos que inocentavam as mulheres. Segundo a defesa das brasileiras, elas já foram liberadas e irão encontrar com a advogada no consulado do país ainda nesta terça.
O Ministério das Relações Exteriores disse, por meio de nota, que recebeu com satisfação a notícia de que as brasileiras saíram da prisão. Segundo o órgão, ao longo do mês o Consulado-Geral do Brasil em Frankfurt realizou visitas às mulheres no presídio, acompanhou os trâmites legais do caso e intermediou contatos com familiares e advogados. Nesta terça, o representante do consulado recebeu os familiares das mulheres no aeroporto de Frankfurt e os acompanhou até o presídio para o momento da soltura.
Como o grupo atuava
As investigações da Polícia Federal apontam que os criminosos se dividiam em grupos. Alguns ficavam responsáveis por trocar as etiquetas e tirar foto das malas, e outros faziam o transporte da bagagem do terminal doméstico para o internacional.
Através desse esquema, o grupo conseguiu enviar 40 quilos de cocaína para a Alemanha. A PF cumpriu, em São Paulo, seis mandados judiciais de prisão temporária contra funcionários de empresas terceirizadas que atuam dentro do aeroporto para as companhias aéreas.
(Sob supervisão de Enzo Menezes)
Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.