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Roubo de cargas muda rotina de caminhoneiros e aumenta custos do transporte

Motoristas planejam cada parada para evitar assaltos, enquanto transportadoras investem em tecnologia para monitorar veículos.

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Caminhoneiros relatam medo com roubos nas estradas • Reprodução Vídeo / Itatiaia

Os casos de roubo e furto de cargas continuam sendo um dos principais desafios para o transporte rodoviário em Minas Gerais. Embora o número de ocorrências registradas no estado tenha diminuído em 2025, o prejuízo financeiro ainda é elevado, já que muitos caminhões transportam mercadorias avaliadas em milhões de reais.

Além das perdas materiais, o impacto é sentido por quem passa dias nas estradas. Caminhoneiros convivem diariamente com o medo de serem vítimas da violência durante as viagens. Com 30 anos de profissão, o motorista Elson Santino da Silva afirma que já foi alvo de criminosos em diferentes estados do país.

"Uma vez me pegaram com o caminhão em movimento. Em outra, em Salvador, me colocaram dentro de um carro pequeno e levaram a carga. Em Alagoas, fui rendido no fim da tarde e só fui liberado horas depois. Quando cheguei à delegacia para registrar a ocorrência, o delegado já sabia quem eu era", relatou.

O motorista Ismael Cabral de Oliveira, que transporta derivados de leite, conta que precisa planejar cuidadosamente cada parada para reduzir os riscos. "No nosso segmento é mais perigoso. Temos que escolher bem onde parar. Em Belo Horizonte, se vacilar, você dorme e, quando acorda, não tem mais nada. A gente praticamente nem dorme mais", disse.

Alimentos e produtos de limpeza estão entre os principais alvos

Segundo o delegado Felipe Freitas, chefe do Departamento Estadual de Investigação de Crimes contra o Patrimônio (Depatri), os criminosos priorizam mercadorias que podem ser revendidas rapidamente no mercado informal.

"Gêneros alimentícios, produtos de higiene e limpeza têm grande procura porque podem ser vendidos facilmente em comércios irregulares, pequenas mercearias e por atravessadores. Também há organizações especializadas em desviar cargas de pneus e outros produtos de maior valor", explicou.

Nem mesmo cargas consideradas de maior risco, como combustíveis, escapam da ação dos criminosos. De acordo com o delegado, uma prática recorrente é o furto parcial do combustível diretamente dos caminhões-tanque durante o trajeto.

Dormir na estrada aumenta a vulnerabilidade

A rotina de quem trabalha nas rodovias também contribui para o problema. Em muitos casos, a legislação obriga os caminhoneiros a interromper a viagem para cumprir o período de descanso, mesmo quando faltam poucos quilômetros para o destino.

Foi o que aconteceu com o motorista Juliano, que transportava cerca de 80 toneladas de diesel. Após quase 12 horas de viagem, ele precisou pernoitar em um posto de combustíveis às margens da BR-040, a menos de uma hora e meia do destino final. Embora afirme não sentir tanto receio por transportar combustível, especialistas alertam que esse tipo de carga também é alvo de criminosos.

Tecnologia vira aliada das transportadoras

Diante da dificuldade de fiscalização em toda a malha rodoviária, empresas do setor têm ampliado os investimentos em segurança privada e monitoramento eletrônico. Segundo Cleiton César, vice-presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas e Logística de Minas Gerais (Fetcemg), atualmente as seguradoras exigem que as transportadoras mantenham programas de gerenciamento de risco para garantir a cobertura das apólices.

"As empresas precisam investir em rastreamento por satélite, equipamentos de localização, iscas eletrônicas e monitoramento constante dos veículos, mesmo quando estão vazios. É um investimento indispensável, mas que aumenta o custo da operação", afirmou.

De acordo com o representante do setor, esses gastos acabam sendo incorporados ao preço do frete e, consequentemente, influenciam o valor final dos produtos pagos pelos consumidores. Apesar dos avanços tecnológicos, empresários e caminhoneiros afirmam que o combate ao roubo de cargas ainda depende do reforço da fiscalização nas rodovias e da atuação integrada das forças de segurança para reduzir a ação das quadrilhas especializadas.

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Jornalista formado pela UFMG, com passagens pela Rádio UFMG Educativa, R7/Record e Portal Inset/Banco Inter. Colecionador de discos de vinil, apaixonado por livros e muito curioso.

 

 

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