Mortes no trânsito avançam 6,5%, com destaque para acidentes de moto
Dados do Atlas da Violência, publicado pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostram o trânsito com uma das principais frentes de violência letal

O Atlas da Violência publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) nesta terça-feira (26), mostra um aumento contínuo no número de mortes registradas no trânsito. Segundo o estudo, 37.150 pessoas morreram em acidentes em 2024, um avanço de 6,5% na comparação com o levantamento de 2023.
Segundo o Ipea, o trânsito é uma das principais frentes de violência letal no país. A título de comparação, foram 42.590 homicídios registrados pelo Atlas em 2024, uma queda de 7% na comparação com 2023 e apenas 5,4 mil casos a mais do que os acidentes nas estradas e rodovias brasileiras.
O crescimento no número de mortes nas estradas foi impulsionado pelos acidentes envolvendo motocicletas, responsáveis por 41,6% dos óbitos viários no país no período estudado pelo Ipea. Entre 2019 e 2024, as mortes em sinistros com motocicletas cresceram 38%, passando de 11.182 para 15.459 óbitos. No Piauí, por exemplo, as motocicletas estiveram envolvidas em 72,7% das mortes no trânsito registradas em 2024, acima da média nacional.
“O estudo mostra que a expansão da economia de aplicativos alterou profundamente a dinâmica da mobilidade urbana brasileira, que consolidou a motocicleta como instrumento de trabalho e sobrevivência econômica para parcelas vulneráveis da população, especialmente nas regiões Norte e Nordeste”, disse o Ipea.
De acordo com os pesquisadores, a pressão por produtividade, as jornadas extensas e a ausência de proteção social transformaram os trabalhadores de aplicativos em um dos grupos mais expostos ao risco letal no trânsito.
Por região e estados
O levantamento mostra que o maior número de mortes no trânsito ocorreu no Nordeste, com cerca de 11,8 mil registros em 2024. A região é seguida pelo Sudeste, com 10,9 mil mortes; Sul (6,3 mil); Centro Oeste (4,2 mil); e Norte (3,9 mil).
Na comparação com 2023, destacam-se a região Norte, com o maior aumento percentual (15,7%) e a região Nordeste, que registrou o maior incremento absoluto, com 1.236 óbitos a mais, ultrapassando a região Sudeste no volume total de mortes. Em contrapartida, o Sudeste foi a única região a apresentar uma leve redução (0,8%) no total de vítimas fatais.
Por estados, São Paulo registrou o maior número de mortes absolutas nas estradas, com 5,3 mil registros, um aumento de 7,1% em relação aos dados de 2023. Na comparação por 100 mil habitantes, o estado teve a terceira menor taxa de mortalidade no trânsito com 11,7 casos, atrás apenas do Rio de Janeiro (7,8) e Distrito Federal (10,8).
Nesse caso, o estado que mais registrou mortes por trânsito foi o Tocantins, com 39,1 casos por 100 mil habitantes. Na sequência aparecem o Piauí (34,4) e o Mato Grosso (32,5).
Homicídios
O Atlas da Violência segue mostrando uma queda no número de homicídios registrados no país. Os 42.590 casos registrados em 2024 renovaram a mínima da série histórica iniciada em 2014. O estudo foi elaborado a partir dos dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde (MS).
O país registrou 20,1 casos de homicídios por 100 mil habitantes, uma redução de 7,4% na comparação com 2023. No recorte por Unidades Federativas, São Paulo, Santa Catarina e Distrito Federal tiveram as menores taxas de homicídios no país. Por outro lado, Amapá, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Ceará tiveram as maiores taxas.
“Essas desigualdades territoriais refletem diferenças históricas de desenvolvimento econômico, capacidade institucional, dinâmica demográfica e presença do crime organizado. O Atlas aponta que Norte e Nordeste enfrentam processos mais intensos de expansão das facções criminosas, conflitos territoriais e fragilidade da infraestrutura estatal de segurança pública”, destaca o estudo.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



