Mais de 100 mil km e 20 países: casal vai do Brasil até o Alasca de moto
Barbielly Bispo Cabral e Rogério da Cruz Sabino retrataram a aventura nas redes sociais

Cinco anos, vinte países, 100 mil quilômetros rodados e muita — mas muita mesmo — história para contar: essa foi a jornada de Barbielly Bispo Cabral e Rogério da Cruz Sabino, que saíram do Brasil com destino ao Alasca, com um pequeno detalhe: de moto.
A dupla viralizou nas redes sociais mostrando a jornada até o país e, atualmente, soma mais de 72 mil seguidores nas redes sociais. À Itatiaia, eles contaram um pouco da jornada, saindo de Alter do Chão, um pequeno distrito no Pará, onde se conheceram, até o Alasca.
"Depois de finalizar o meu curso de biologia, eu queria conhecer todos os biomas brasileiros, então saí sozinha com uma mochila nas costas e percorri alguns estados brasileiros. Depois de um ano, conheci o Roger pelo caminho e ele me convidou para subir ao Alasca com ele", contou Barbielly, também conhecida como Barbie, que nasceu em Rio Verde, em Goiás.
Já Roger começou apenas querendo conhecer uma praia durante a pandemia e terminou nessa jornada intensa. "Comecei a subir pela costa do Brasil, depois cheguei na Amazônia, Venezuela, Colômbia, aí desci até a ponta mais ao sul, no Ushuaia, na Patagônia Argentina. E aí voltei para casa, comecei a subir pelo centro do Brasil até Alter do Chão, no Pará, onde conheci a Barbie", relatou Roger, natural de Peabiru, no Paraná.
A dupla, então, decidiu cruzar as três Américas utilizando uma Honda Sahara 300. Durante o trajeto, para não cansar, quando passam muito tempo em viagem, compensam passando muitos dias em alguma cidade para recompor as energias.
As famílias deles, no início, ficaram preocupadas com a viagem. Mas hoje em dia já se acostumaram com a ideia e apoiam ambos. "Eles têm saudade e falam que já está na hora de parar, mas a gente não acredita, não. A gente não acha que tá na hora de parar tão cedo”, diz Barbie.
Estratégia financeira
O gasto durante esses cinco anos é imensurável, mas Barbie relatou que a principal estratégia que eles utilizam para não gastar muito é acampar, ficar na casa de pessoas que os convidam, grupos de ajuda para motociclistas e também trabalhos voluntários em troca de hospedagem. Em relação à alimentação, eles buscam as opções mais baratas.
"A gente tenta, no máximo, comer as comidas de rua, o que der. Essas são as possibilidades mais baratas e, geralmente, a gente cozinha", contou.
Antes de viajar, Barbie fez um planejamento financeiro, vendendo todos os móveis e bens que tinha, para sair com uma quantia, por menor que fosse. Já Roger sempre trabalhou de forma online, como designer gráfico, e, juntos, eles conseguem trabalho freelancer pelo caminho, além dos bicos nas cidades.
"Durante a estrada, a gente já se esforçou e já trabalhou de várias formas, fazendo pequenos bicos, pequenos freelancers, já vendemos pipoca na praia, geladinho, vendemos fotos polaroides, pulseiras, e esse dinheiro extra que entra é o que vai ajudando na gasolina, na comida. Então é mais ou menos assim que a gente faz uma viagem desse porte, com baixo recurso financeiro, mas com muito esforço e muita garra e muita coragem", relatou.
Perregues e conquistas
É certo que uma viagem desse porte terá vários perrengues. E o maior deles, para Barbie, foi quando precisaram realizar uma travessia de barco na Colômbia para o Panamá, no Estreito de Darién.
"Foi muito cansativo e complicado. Foram 14 dias em alto-mar, mais de 10 dias esperando numa ilha, então foi quase um mês para fazer a travessia. Foi muito dinheiro, muito cansaço físico, mas a gente nunca pensou em desistir", disse.
E que bom que eles não desistiram, porque puderam viver um momento marcante: a entrada nos Estados Unidos. Nesse meio tempo, foi necessário deixar a moto, retornar ao Brasil e fazer todo o processo para obter o visto americano.
"Muitas pessoas não acreditavam, achavam que a gente não ia conseguir, e foi muito marcante pra nós dois entrar nos Estados Unidos. Esse momento foi quando a gente teve certeza de que realmente a gente tava muito mais próximo do Alasca depois de tanto esforço, e foi realmente muito marcante, além de chegar no destino final, claro", relatou.
Próxima viagem
Para a contrariedade da avó de Barbie, que acha que o casal tem que voltar para o Brasil e "sossegar", eles planejam seguir com esses trajetos pelo mundo. O próximo destino é a Europa.
"Nosso objetivo agora é conseguir enviar a nossa moto para a Europa e continuar explorando, e quem sabe a Ásia, a África e dar uma volta ao mundo", disse.
Para ajudar nos custos da viagem, eles criaram uma ação entre amigos que sorteará uma Yamaha Fazer 250, R$ 10 mil no Pix e 20 prêmios de R$ 250. Para participar, basta clicar neste link.
Formada pela PUC Minas, Maria Fernanda Ramos é repórter das editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo na Itatiaia. Antes, passou pelo portal R7, da Record.



