Itatiaia

Estradas em condições precárias elevam custos da indústria e encarem logística nacional

Série especial da Itatiaia mostra os impactos da estradas ruins em pilares da economia brasileira como na indústria

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Caminhoneiros ouvidos por nossa reportagem reclamaram de estradas em condições ruins, buracos espalhados pela rodovia e dos veículos danificados pela falta de infraestrutura • William Brisida / Itaipu Binacional

Viajar por estrada ruim é sinônimo de dor de cabeça. Além do estresse, o prejuízo chega ao bolso. Nuraco fura pneu, quebra amortecedor, estraga o carro.
Agora imagina enfrentar esses mesmos problemas todos os dias e isso carregando toneladas de produtos na carroceria. Essa é a realidade de muitos caminhoneiros que rodam pelas estradas brasileiras.

Caminhoneiros ouvidos por nossa reportagem reclamaram de estradas em condições ruins, buracos espalhados pela rodovia e dos veículos danificados pela falta de infraestrutura. Estudos apontam que os problemas estão espalhados pelo país.

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) acompanha a situação das nossas estradas há mais de 30 anos. A pesquisa mais recente até registrou uma melhora, mas destacou que há muito o que melhorar.

O estudo apontou que 62,1% da malha analisada ainda apresenta condições regulares, ruins ou péssimas. Isso que dizer que de cada dez quilômetros avaliados, seis ainda apresentam algum tipo de problema.

E quem encontra tudo isso na prática, todos os dias, é o caminhoneiro. O presidente do Sindicato Interestadual dos Caminhoneiros, José Natan, conta o que aparece pelo caminho.

"Ali você tanto pode quebrar o veículo quanto danificar a mercadoria. A buraqueira da rodovia quebra, arrebenta o caminhão. Tem que andar devagar e procurar ser o mais cuidadoso possível com o que você está transportando", disse.

E cada problema desses vai engrossando a conta. O caminhão consome mais, precisa de manutenção com mais frequência e demora mais para chegar ao destino. Para a indústria, isso significa frete mais caro, atraso na chegada de matéria-prima e dificuldade também para entregar o produto acabado.

É uma das parcelas do chamado 'Custo Brasil' — o conjunto de dificuldades que torna mais caro produzir e fazer negócios no país. O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Pesada de Minas Gerais (Sicepot), Bruno Ligorio, detalhou como essa infraestrutura ruim afeta a atividade das empresas.

"Quando as nossas estradas não estão bem cuidadas, com buracos, isso reflete no Custo Brasil e na logística. O frete chega a custar 34% mais caro quando as estradas não estão bem cuidadas, e isso penaliza a indústria de uma forma geral", apontou.

A preocupação não se limita apenas as fronteiras de em Minas Gerais. Em São Paulo, empresários e alguns dos maiores transportadores do país têm se reunido justamente para discutir como enfrentar esses gargalos.

A nossa reportagem acompanhou uma dessas reuniões na capital paulista. O encontro foi promovido pelo Grupo Lide, que reúne executivos de mais de duas mil empresas na América Latina e cerca de quatro mil lideranças do mercado global.

O fundador do grupo, João Doria Júnior, defendeu o investimento em infraestrutura não pode depender da prioridade de um governo ou de outro. Na avaliação do ex-governador de São Paulo, infraestrutura precisa ser tratada como política de Estado.

"É política de Estado, não de governo. Não pode estar vinculada a um governo ou a uma questão ideológica. É uma necessidade da sociedade, e as necessidades devem ser tratadas dessa forma, sem ideologias e com alta eficiência", disse.

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Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.

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Correspondente da Rádio Itatiaia em São Paulo. Apresentador do quadro Palavra Aberta e debatedor do Conversa de Redação. Ingressou na emissora em 2023. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. No rádio, teve passagens pela Alvorada FM, BandNews FM e CBN, no Grupo Globo. Na Band, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na Band News FM BH. Na televisão, participava diariamente da TV Band Minas e do Band News TV. Vencedor de nove prêmios de jornalismo. Em 2023, foi reconhecido como um dos 30 jornalistas mais premiados do Brasil.

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Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio

 

 

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