Itatiaia

Advogada explica novas regras para uso de IA em reconhecimentos criminais

Regras publicadas pelo Ministério da Justiça entram em vigor em 90 dias

Por
Segundo engenheiro, inteligência artificial contratou seu próprio advogado
Thaís Murta destaca que a mudança vem como um apoio ao sistema, já que, muitas vezes, não há pessoas suficientes para a realização do reconhecimento presencial • starline/Freepik

As novas regras que autorizam o uso de inteligência artificial em reconhecimentos criminais foram publicadas no Diário Oficial e passam a valer daqui a cerca de 90 dias. A medida foi definida pelo Ministério da Justiça e tem como objetivo auxiliar o trabalho das forças de segurança, especialmente em situações em que o reconhecimento presencial não é possível.

Segundo a advogada criminalista Thaís Murta, em regra, o reconhecimento de suspeitos em investigações criminais é feito presencialmente.

“A vítima ou a testemunha consegue enxergar várias pessoas que podem ser o investigado. Quando esse reconhecimento pessoal não é possível, aí sim pode ser feito o reconhecimento fotográfico”, explica.

Até a publicação da portaria, esse reconhecimento por fotos era feito apenas com imagens reais de pessoas existentes. Com a nova norma, passa a ser permitido, de forma excepcional, o uso de inteligência artificial generativa, capaz de criar imagens fictícias, que servirão como parâmetro de comparação para vítimas e testemunhas.

Leia também:

“A inteligência artificial vai gerar uma imagem de uma pessoa que não existe, para ser apresentada no reconhecimento de um eventual autor de uma infração penal”, detalha a advogada.

Thaís Murta destaca que a mudança vem como um apoio ao sistema, já que, muitas vezes, não há pessoas suficientes para a realização do reconhecimento presencial.

“Quando não há possibilidade de fazer o reconhecimento pessoal, ele passa a ser analisado caso a caso. Só de forma excepcional é feito o reconhecimento fotográfico”, afirma.

Essa é a primeira vez que a inteligência artificial passa a ser utilizada de forma formal dentro da polícia, seguindo um protocolo nacional de reconhecimento de pessoas em procedimentos criminais. Segundo a especialista, a expectativa é positiva.

“A inteligência artificial já vem sendo usada em tribunais e outros órgãos públicos, mas na polícia ainda era algo restrito. Agora, a tecnologia passa a ter um respaldo formal, dentro da lei”, avalia.Ela pondera, no entanto, que a implementação também traz desafios.

“O principal desafio é colocar essa tecnologia em funcionamento no contexto real das polícias, que enfrentam dificuldades próprias da segurança pública”, diz.

De acordo com a advogada, o prazo de 90 dias antes da entrada em vigor da norma deve ser usado para treinamento e adaptação das equipes, além da definição de responsáveis pela gestão da tecnologia em cada instituição.

“Esse período é muito importante para preparação e adequação ao novo contexto”, conclui.

Por

Laura Gorino é mineira e jornalista formada pela UFOP. Atualmente como repórter multimídia na Itatiaia, com passagem prévia pela filial da rádio em Ouro Preto.

 

 

Belo Horizonte