Mulher que sobreviveu a bolo envenenado revela sequelas e diz que sabia que nora 'era má'
Zeli dos Anjos falou pela primeira vez sobre o caso em documentário; a nora dela, Deise dos Anjos, presa pelo crime, cometeu suicídio dentro da cela no início deste mês

Zeli dos Anjos, uma das seis pessoas envenenadas após comer um bolo em Torres (RS), falou pela primeira vez sobre a nora Deise dos Anjos, suspeita de matar quatro pessoas da família. Deise cometeu suicídio na prisão no início de fevereiro.
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Do joelho pra baixo, está muito dormente, eu não tenho sensibilidade nenhuma. Não posso ficar em pé sozinha e nem caminhar sozinha. Nas pontas dos dedos, também. Tipo, pegar uns comprimidos, não consigo direito. Mas é só", contou Zeli em entrevista ao documentário "O Caso do Bolo Envenenado", realizado pela RBS, afiliada da TV Globo no Rio Grande do Sul.
Em dezembro, Deise colocou a substância na farinha usada por Zeli para fazer um bolo para toda a família. Zeli chegou a ficar internada após após comer o doce, mas as irmãs dela Neuza Denize Silva dos Anjos, de 65 anos, e Maida Berenice Flores da Silva, de 59, e a filha de Neuza, Tatiana Denize Silva dos Anos, de 47, morreram.
"A gente comeu um pedacinho do bolo só… E daqui a pouco a gente já começou a passar mal. Foi bem rápido assim, sabe? Tipo, 'ah, o bolo está ruim, ah, então não come'. E aí o outro prova, porque o outro disse que está ruim. E aí que todo mundo acabou botando na boca. Era muito pouco, era muito pouco. Ninguém comeu uma fatia", disse.
'Sabia que era má', diz Zeli sobre Deise
Zeli contou que até o casamento de Deise com o filho dela, Diego, tudo parecia normal. No entanto, ela começou brigar com todos que se aproximavam do marido. A mulher conta que os motivos eram variados, mas a discussão ficava acalorada e se tornavam uma "grande tempestade".
Ela afirma que Deise tentou "descartar" todos que eram próximos do marido. "Desde o início, ela quis descartar as mais chegadas. A primeira coisa que ela fez foi com a Tati, prima mais chegada ao Diego e morta no envenenamento. Depois, a Regina, que era a tia mais chegada. Ela já começou a descartar", diz.
"Eu sabia que ela era má, que ela fazia maldades, que dizia coisas das pessoas quando estava com raiva. Ela ficava com raiva por muito pouca coisa. Mas nunca ( achei) que fosse chegar a um nível desses. Nunca! Nunca!", comentou.
Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.


